abril 19, 2004

AINDA COM 29 ANOS DE ATRASO (ONDE ESTÁ A EVOLUÇÃO?)

Posted at abril 19, 2004 04:12 PM

Tenho pena que a maioria dos Governos, se não todos, se façam desentendidos quando algumas resoluções aprovadas não trazem dinheiro rápido, grandes benefícios propagandísticos ou boas performances eleitorais. A maioria das decisões equacionam o seu endurance entre duas eleições, muito mais do que potenciam a construção do bem comum.
E isto é uma tónica que reflecte o estado das democracias actuais.
Na população grassam as desigualdades sociais, a diminuição do poder de compra (principalmente na classe média, já que a baixa o tem reduzido e alta não sente estas dores), o fomento do elitismo e da segregação através do culto do dinheiro.

Infelizmente isto é a nossa realidade.

Em 3 de Julho de 1973 iniciou-se em Helsínquia, capital filandesa (e terminou a 1 de Agosto de 1975), uma conferência das mais importantes após a II Guerra Mundial, que apesar do seu impulso para o pacifismo e uma nova ordem mundial mais centrada na pessoa e não nos interesses instalados, não conseguiu impôr-se na realização das suas conclusões. Nesta altura Portugal já se regia nas alegrias da democracia, restaurada em 1974.

Com um elevado número de países participantes, incluindo a UNESCO, esforçaram-se em definir um conjunto de princípios reguladores das relações internacionais, da segurança colectiva e do desenvolvimento de relações de cooperação entre estados.

Saliento os mais importantes:
• Igualdade soberana dos estados
• A não intervenção nas questões internas
• Resolução pacífica dos diferendos (e renúncia à ameaça)
• Respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais
• Igualdade de direitos e autodeterminação dos povos
• Dissolução simultânea da NATO/OTAN e Pacto de Varsóvia
• Paragem da corrida aos armamentos
• Criação de zonas desnuclearizadas e desarmamento nuclear generalizado
• Redução geral de despesas militares, especialmente por parte das grandes potências
• Adopção de medidas preventivas do risco de eclosão acidental ou da provocação deliberada de incidentes militares e sua transformação em crises localizadas ou mesmo em guerras internacionais
• Estabelecimento de relações de cooperação
• Desenvolvimento dos sistemas de transportes e telecomunicações

Os Homens e Mulheres que amam a paz devem encetar esforços para pugnar por estas resoluções, que são tão actuais e pertinentes agora como o eram em 1975. Algumas coisas (poucas) mudaram. E mais na forma do que no conteúdo...


Miguel Rodrigues

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