abril 25, 2004

30 ANOS DO 25 DE ABRIL

Posted at abril 25, 2004 07:48 PM

"De acordo com Jorge Sampaio, as dificuldades de Portugal derivam "de inegáveis dificuldades estruturais e de uma conjuntura económica europeia adversa, mas também de opções sobre o investimento público e a gestão de expectativas" — palavras que deixaram as bancadas da maioria PSD/CDS-PP em silêncio.

Para o Chefe de Estado, "a crise orçamental não está superada" em Portugal e, mais grave do que o défice público, continua a existir um "défice estrutural de produtividade e de competitividade".

"Parece-me óbvio que Portugal se deixou atrasar nas reformas que mudam a estrutura e as condições de funcionamento da economia", sendo por isso "necessário recuperar o tempo perdido, efectuando as reformas estruturais que se impõem".

Como soluções, Jorge Sampaio apelou à necessidade de Portugal voltar a uma trajectória de convergência real com a média europeia e a apostar na qualificação e na educação, defendendo um modelo económico mais igualitário na distribuição de riqueza e com protecção social.

"Com preocupante regularidade, aumenta o volume dos desempregados de longa duração, agravando as situações de carência de recursos para muitas famílias, e conduzindo-as a limiares de exclusão, onde as palavras liberdade e cidadania poderão deixar de fazer sentido", alertou o Presidente da República, para quem a luta contra a pobreza e a exclusão "é uma questão de dignidade social e uma obrigação moral indiscutível".

Neste capítulo, Jorge Sampaio deixou um recado ao Governo: "qualquer que seja o caminho para o necessário modelo de desenvolvimento alternativo, é fundamental que não se recue, precipitadamente, no domínio das políticas sociais preventivas e de emergência", disse. (...)

Sobre os 30 anos de democracia em Portugal, o Chefe de Estado reconheceu a existência de progressos, mas sustentou que o país "ainda não recuperou inteiramente" de algumas marcas deixadas pelo Estado Novo.

Segundo Sampaio, Portugal ainda não venceu totalmente "a apatia cívica, a desconfiança nas instituições e na política, a falta de espírito crítico [substituída pela maledicência inconsequente e avulsa], a desresponsabilização, a impunidade, a opacidade, a intolerância e o desrespeito pela diversidade".

Fenómenos que Sampaio disse perpetuarem-se num quadro de "nostalgia do unanimimismo, e da uniformidade, de confusão entre estabilidade e imobilismo e de subserviência ao poder".

Ainda assim, o Presidente deixou um balanço positivo dos 30 anos de democracia, "um dos períodos mais notáveis da história portuguesa": "O país que somos hoje está certamente muito longe do país que desejamos ser amanhã, mas está ainda mais longe do país bloqueado e sem futuro que éramos ontem, em 1974".

in Público, 25/Abril/2004

"O primeiro-ministro, Durão Barroso, e o ministro da Defesa, Paulo Portas, foram recebidos com assobios quando chegaram à tribuna para assistir à parada militar que assinala hoje os 30 anos do 25 de Abril.

O Presidente da República, Jorge Sampaio, acompanhado pelo presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi aplaudido pelos populares que assistem à parada e que também receberam com palmas o presidente da Assembleia da República, Mota Amaral.

Membros do Governo, chefes militares e altos representantes do Estado assistem ao desfile militar na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Durante tarde, pela mesma avenida passou uma manifestação popular [com milhares de pessoas]. "

in Lusa, 25/Abril/2004

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