Descobri hoje, com um mês de atraso, que o Vaticano publicou um relatório de cerca de 800 páginas sobre a Inquisição. A conclusão, como quase todas as tiradas pelo Vaticano, é brilhante: afinal eles não foram assim tão maus!
Segundo o estudo, o Tribunal do Santo Ofício não fez tantas execuções nem torturou tanto quanto se pensa. Agostino Borromeu, editor do livro, diz que em Espanha apenas (acho que o professor usou mesmo este termo) 1,8% dos “investigados” foram mortos. Segundo os números que o mesmo lançou (125 000 julgados) e fazendo as contas, dá cerca de 2500 bruxos executados. Até nem são muitos! Na Alemanha, que bate os recordes, 25 000 foram executados. Não é assim tanto! Os Inquisidores, que afinal não eram tão maus, aliviavam os bruxos, se eles mostrassem arrependimento, estrangulando-os antes de os queimarem vivos.

A Inquisição foi instituída em 1233 pelo papa Gregório IX e vigorou até 1859. Seis séculos, durante os quais não se executaram nem torturaram assim tantas pessoas, não se fizeram assim tantos Autos de Fé, não se queimaram assim tantos livros, não se confiscaram assim tantos bens.
Podem ver aqui, como curiosidade, o Manual dos Inquisidores "Directorium Inquisitorum".
Daqui a uns tempos, hão de dizer que nem foram assim tantos os padres que sodomizaram crianças ou que não foram assim tantos os que foram torturados em Abu Ghraib…
Madalena Santos