julho 21, 2004

A FESTA DOS MINISTROS

Posted at julho 21, 2004 02:30 AM

Ontem (a esta hora já será correcto dizer anteontem, segunda-feira) quando vi Santana Lopes dirigir-se ao cemitério onde está enterrado Sá Carneiro para depositar um ramo de flores, logo vi, mais uma vez, como pretenderá, este novo governo actuar. Antes de tudo, pela imagem. O autoproclamado delfim de Sá Carneiro, à falta de outras actividades, resolveu dar um ar mítico de sebastianismo ao início da sua governação.

Enquanto andava, iria trauteando na sua imaginação "eu sou aquele que te quer e mais ninguém. Sem ti penso que não poderei viver..." E ia sorrindo com o poder que lhe caiu do céu, de mão beijada.

Por outro lado, o seu melhor amigo, Portas, resolveu ir para a Madeira marcar passo. Pensou concerteza que tinha de aproveitar enquanto dura este regabofe laxista e, portanto, promover o seu partido a todo o custo, nem que para isso tenha de dar umas facadinhas no seu amante de culigação.

Como a demagogia está na ordem do dia, temos de ver duas coisas: primeiro, se vão manter o péssimo hábito do seu antecessor, José Barroso (como agora gosta de ser chamado - já agora, não foi cómico vê-lo a dizer que não gosta de bajular os EUA? A cimeira dos Açores foi o quê? Só um beijinho no rabo do Tio Sam?), culpar e responsabilizar o governo antecessor por tudo o que de mau acontece;

Segundo, vão ou não descer os impostos? É que uma pessoa não consegue ficar com cara de máscara de teatro, metade alegre, metade triste. Ou descem os impostos, implementam medidas populistas desequilibrando as contas públicas, zangando o Presidente da República (e aqui até era engraçado de ver se este demitia o Governo ou não - e se não, negava as premissas do seu discurso de tomada de posse do governo); ou mantêm tudo na mesma, lamentado-se da conjuntura, e continuando a conduzir o país para o abismo.

De qualquer forma é o que farão, porque as suas medidas, como vamos vendo, muito pouco abonam a favor de uma política social justa e de uma sociedade mais igualitária e fraterna. Pelo sim, pelo não já tenho um lençozinho branco preparado. Para quê? Já que são tão religiosos, de certeza que vão compreender o significado do lencinho agitado por mim enquanto passam.

MR

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