julho 22, 2004

NA TEORIA...

Posted at julho 22, 2004 12:52 PM

«Não concordo com as teses sobre o "vazio" do discurso de Pedro Santana Lopes. Não que fique impressionado com os disparates que o povoam: de Thomas Skuhravy e do saneamento financeiro do Sporting com uma quota suplementar de 25 mocas a Frank Gehry e ao Casino de Lisboa, é definitivamente o mesmo homem. Transferir ministérios para Faro e para Santarém e descer o IRS são assim apenas esforços de manutenção da média por semana.

Disparates como estes não têm graça nenhuma e são graves porque, ...

...entre outras coisas, destroem a ideia de que as pessoas devem ser responsabilizadas pelo que dizem. Este "devem" não é moralista mas instrumental: é que esta ideia de inimputabilidade (desculpem o palavrão) é a condição básica para a demagogia em versões muito mais agressivas e perigosas.
Concordo que este espalhafato tem apenas como função, no discurso de Lopes, esconder. Só não acho que o que é escondido seja o vazio; é antes a regra da formação desse discurso: a semelhança.»

in País Relativo, 20/Julho/2004


«Senhor Presidente da República, Doutor Jorge Sampaio, tem percepção da onda de instabilidade em que vai mergulhar o país nos seus dois últimos anos de mandato. Agora que já sabe quem são os ministros, agora que já deu para perceber como é que o XVI Governo Constitucional vai funcionar, está de consciência tranquila em relação à decisão que tomou? Acredita que é retirando a capacidade de intervenção e decisão aos cidadãos, que vai promover a tão necessária participação dos Portugueses na vida política nacional?»

in Acuso, 19/Julho/2004


«A paródia destes senhores, com a bênção do dr. Sampaio, revela um total desnivelamento dos critérios de selecção da classe política e sugere ter-se chegado ao grau zero da incompetência. O interesse público assim confiado a infantis funcionários partidários torna impossível abordar qualquer questão com serenidade e objectividade possível.

Os episódios lamentáveis destes dias manifestam um atrevimento político do senhor Presidente da República, a saber: a defesa de um governo que, pela primeira vez na história lusa, é possuidor do perfil mais medíocre de sempre. Sabia-se que em toda a vida económica, social e cultural portuguesa se declarava um facilitismo constrangedor, uma banalidade desesperante. Agora, pela mão diluída do dr. Sampaio resplandece no espaço governamental uma alucinada mediocridade. Infeliz deste país que tudo permite. Eis tudo.»

in Almocreve das Petas, 22/Julho/2004


«1 - Os nossos sacrifícios estão a valer a pena.
"Sem medidas temporárias e com ajustamento ao ciclo, o défice ascenderia a 5,7% do produto interno bruto (PIB), em 2001, a 4,7%, em 2002, e a 4,5%, no ano seguinte" (Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal)
(nota: sensivelmente o mesmo décife do final da legislatura de Guterres).
2 - O novo governo é a continuidade do anterior.
"Este Governo não tem que responder pelas suficiências ou insuficiências do anterior" (Morais Sarmento, ministro da Presidência do Conselho de Ministros)
3 - Sampaio não dá orientações nem assume responsabilidades no novo programa do governo

"É preciso conter criteriosamente a despesa pública corrente e combater eficazmente a evasão fiscal. Só assim se poderá ganhar margem de manobra para evitar que se sacrifiquem indevidamente despesas sociais necessárias" (Jorge Sampaio, na mesma intervenção)

Tanta honestidade e coerência até assusta.»

in Resistente Existencial, 20/Julho/2004


«Afinal, a montanha pariu um rato. Da reunião magna do Governo liderado por Santana Lopes não saiu nenhuma medida bombástica, apenas uma lista com as prioridades de Santana Lopes, que parece ter adoptado o estilo barrôco, talvez por influência das "Quatro estações" de Vivaldi. Por agora, e porque estamos no verão, há que cuidar da "época balnear, do combate a incêndios, da prevenção rodoviária e dos horários dos professores"...

No Outono, haverá outras prioridades. Santana Lopes pediu ainda "um ponto da situação" sobre "o que são as preocupações das famílias portuguesas nesta altura do ano". Não há dúvida que, em todo este "trabalho de casa", o que mais se torna evidente, é a vontade de Santana Lopes agradar às famílias, ao seu futuro eleitorado... Isto é, simplesmente, populismo. »

in Abrangente, 20/Julho/2004


«Paulo Portas, desde o início da sua viagem no PP, montou a sua estratégia de transformar o velho CDS num Partido de Extrema-Direita, capaz de se alimentar dos ressentimentos sociais e políticos face ao processo de transformação da sociedade portuguesa. Na base da desconfiança de “Europa a mais” (a velha sociedade sempre foi “africanista” e “anti-europeia”), do catolicismo ancestral, do patriotismo de exaltação, das filias securitárias, da desconfiança e contenção dos imigrantes. E diga-se, em abono da verdade, que Paulo Portas verificou cedo que não precisava de Manuel Monteiro para isso e poderia fazer mais e melhor que ele e sem ele.
(...)
Paulo Portas assume, na coligação, o caminho da reconstrução da simbologia do antigo regime, regenerando-o dos “ostracismos” do 25 de Abril. Ele lá está, no seu Ministério, a cumprir essa missão. Paulo Portas recuperou a velha receita de enformar a hierarquia militar nos cânones da direita conservadora, levando as Forças Armadas de regresso à situação pretoriana de um pilar do regime, por via de uma hierarquia direitista e completando o processo de profissionalização dos militares. E não foi por acaso que Paulo Portas deu a importância que deu aos “ex-combatentes”. Isto permite-lhe rever a história da participação na guerra colonial, devolvendo-lhe o cunho patriótico, dando continuidade ao mito heróico do passado de Pátria Pluricontinental (“limpando a história” da mancha da colonização), permitindo a recuperação da auto-estima dos militares de carreira, alimentando os ressentimentos sobre a descolonização (que continuam vivos na sociedade portuguesa) e ganhando base de apoio em grande número de ex-combatentes, demasiado tempo deprimidos pelo silêncio sobre as suas feridas. Entretanto, a Família emerge como novo e central valor, a Igreja aguenta-se no balanço, as polícias desenrascam-se, a “caça aos imigrantes” e a “deseuropização” ficam para mais tarde.»

in Bota Acima, 22/Julho/2004


«O meu lado supersticioso faz-me suspeitar das coincidências. O facto de a posse do novo Governo ter coincidido com a abertura da «silly season» será puramente fortuito ou, como muita gente desconfia, constitui a prova de que se trata de um Governo completamente «silly»? Indício suplementar: o novo primeiro-ministro não foi já, durante sucessivas temporadas, o campeão absoluto das performances «silly» da época estival? »

in Causa Nossa, 20/Julho/2004


«"no conjunto, o número de membros do Governo não irá aumentar, porque não o considero necessário".
Pedro Santana Lopes, em entrevista à SIC no início de Julho

21 de Julho de 2004, afinal existirão mais dois Ministérios e duas Secretarias de Estado!
Coerência!
Para começar não está mal!»

in Os Cães Ladram e a Caravana Passa, 21/Julho/2004


«Há um mês, era a excitação do Euro e da provável retoma. Agora, fizeram-nos uma rasteira. Assim de repente, sem avisos. Atiraram-nos para o fundo do poço, sem estarmos à espera. Mas dêem-nos tempo, caros vampiros! Apenas o suficiente para percebermos como está escuro aqui em baixo. Sairemos dele, garanto-vos. Dêem-nos tempo apenas. Ouvirão as nossas vozes certamente. »

in Vida Magenta, 17/Julho/2004


«Na Madeira, ou somos do PSD ou da oposição. Tão simples quanto isto. A questão ideológica ou a divisão esquerda/direita quase desapareceu. Cheira a antigamente, não é verdade? Mas é assim. Quando falei do esquizofrenismo do CDS/PP, referia-me à dualidade de comportamentos, discursos e atitudes exigíveis pela situação. Prometo contar mais histórias sobre esta região, cuja pérola foi dada aos porcos.»

in Puxa Palavra, 19/Julho/2004


«José Sócrates, apesar da pose, ainda não ascendeu à liderança do PS. Está lá muito perto, mas não nos precipitemos.»

in Viva Espanha, 20/Julho/2004


«Uma equipa pelestiniana venceu a Taça de Israel!
A euforia foi imensa. Os adeptos palestinianos deram largas ao seu êxtase, a ponto de muitos afirmarem que chegou a altura de se passar da luta armada para a competição desportiva.
Também este ano, uma equipa tchetchena que joga na 3ª divisão russa, o FC Terek Grosny, conquistou a Taça da Rússia!...

Creio que se os EUA apoiassem financeiramente os clubes de futebol da Palestina e da Tchetchénia, provavelmente muita da energia que é hoje canalizada para a violência, talvez se libertasse por catarse futebolística, para o bem de todos.»

in Abre-Latas, 18/Julho/2004


MR

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