A notícia é arrepiante, revelada pela CBS e foi mantida secreta até agora pela hierarquia das forças armadas americanas. Conta que 17 militares, incluindo um brigadeiro, maltrataram e abusaram de prisioneiros americanos.
Na sua rotina, numa prisão perto de Bagdad, estes soldados tiravam fotografias humilhando os iraquianos e encenando poses sexuais, tendo sido descobertos depois de investigados, num processo que certamente irá terminar com as suas carreiras militares.
Esta notícia é gravíssima e mostra como uma nação que se diz humana e mais avançada que todas as outras, na verdade trata os seus prisioneiros como se fossem animais de criação prontos para abate.
Factos como este não são novos, e em Guantanamo, a história tem-se repetido, com maus tratos e torturas frequentes e total desrespeito pela Convenção de Genebra.
Jamal Udeen, um britânico que se encontrava no Paquistão a estudar cultura islâmica, foi preso na fronteira deste país com o Afeganistão (na verdade não existe um muro de betão a dividir estes dois países, nem na maioria dos países, ao contrário do que acontece, por exemplo, entre Israel e a Palestina), transportado para Guantanamo, preso, interrogado e torturado.
Segundo declarações de Udeen, após a sua libertação, os presos são mantidos em gaiolas de metal com chão de betão, a água é cortada antes das abluções, e o momento recreativo que os prisioneiros têm é caminhar numa estreita faixa de cascalho.
Udeen conta ainda que os militares lhes disseram: "Aqui vocês não têm direitos". De facto, passado algum tempo pedem, pelo menos que lhes proporcionem os direitos dos animais. Tudo é feito para psicologicamente os afectar e fisicamente os debilitar.
Na guerra vale tudo. Já sabíamos. Mas esperava sinceramente que países que se dizem do "primeiro mundo", dos mais desenvolvidos, dos poderosos, tivesse pelo menos uma pinga de integridade e de respeito. Uma das razões para os americanos invadirem o Iraque e capturarem Saddam não era precisamente para acabar com estes «episódios» do ditador?
Miguel Rodrigues
Parece que Durão Barroso está a digerir mal o prato do dia na Assembleia da República. A sobremesa ainda não foi servida hoje... Esperamos ansiosos!
«Francisco Louçã acusou o Governo de favorecer o grupo Carlyle na privatização da Galp e do banco do Estado, Caixa Geral de Depósitos, estar a ser o financiador dessa operação. Ao PortugalDiário, já no final do debate, o deputado atacou o que diz ser a «negociata do ano»: «Valentim Loureiro é um aprendiz de carpinteiro face a este negócio».
No plenário, o líder do Bloco de Esquerda atacou: «O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, é o representante do Grupo Carlyle em Portugal, grupo que, segundo o Wall Street Journal é o gestor de negócios de Bin Laden no Ocidente». Como se explica então que tenha sido enviado como representante do Estado português a cerimónias no estrangeiros?, quis saber.
Louçã insistiu junto de Durão Barroso sobre o favorecimento «negocista» do Governo ao Grupo Carlyle na operação de privatização da Galp. E perguntou ainda se a Caixa Geral de Depósitos é ou não financiadora desta operação.
O primeiro-ministro respondeu de forma indignada e com fortes acusações a Francisco Louçã. «O senhor está constantemente a lançar insinuações e calúnias. Se sabe desse favorecimento por parte de algum membro do Governo que o prove», afirmou.
«Se não o provar está a mentir no Parlamento e a enlamear a democracia». E atacou o deputado na mesma moeda: «Mas pergunto-lhe o senhor trabalha para quem?».
«Quando não tem argumentos responde com insultos e indignação. O senhor tem de dar respostas no Parlamento e não faltar ao respeito», respondeu Louçã.
Perante os gritos do ministro da Defesa, Paulo Portas, que se mostrava fortemente irritado, e de toda a bancada da maioria, Louçã disse que não eram os gritos que o impediam de falar.
O fim do tempo para a interpelação bloquista acalmou as bancadas. O debate prosseguiu - sobre a Europa. »
A partir de segunda-feira vão ser entregues, durante 15 dias, cerca de meio milhão de bilhetes para o Euro 2004 em todo o mundo.
São 70 mil envios, dos quais 30 a 35 por cento se destinam ao mercado nacional, 40 por cento para a Europa, e 20 a 25 por cento para o resto do mundo. Para perto e para longe, Portugal vai unir os amantes do desporto, em particular do futebol, à volta de um evento único.
A bem ou a mal, conseguimos, e agora «só falta» levantar a Taça.
O jogo está quase a começar.
Será provavelmente este o pensamento que ocorre na pequena cabecinha de Santana Lopes quando se vê, pela manhã, ao espelho.
Numa espécie de exercício moralizador, dando razão à sua própria razão, repete estas palavras, que acabam por fazer eco entre as suas duas orelhas... grandeeee... grandeee...
Depois de ter (en)cravado em pleno coração de Lisboa um espinho que estrangula o trânsito e derrete os cofres da autarquia, Santana Lopes não tem problemas em vir para a rua e apregoar que a culpa é dos outros. Uma cabala, provavelmente.
Penso decididamente, que este será um virus que está a atacar os laranjas de há uns tempos para cá. Uma espécie de desresponsabilização viral, que faz estes políticos atirar as culpas num jogo do "passa a outro e não ao mesmo". O Governo atira as culpas para os socialistas que estiveram antes de si (até quando?), o presidente da Câmara de Lisboa atira as culpas (ou tenta atirar) para o Ministério do Ambiente e - pasme-se - até já tem convocada uma manifestação de apoio amplamente divulgada em anúncios de página inteira nos jornais.
Santana Lopes, beijoqueiro com grande experiência noctívaga e conhecedor acreditado do jet-set e das suas festas, mostra que o seu conhecimento é extenso e não acaba por aqui. Também domina muito bem duas artes circenses: os palhaços e saltos de trampolim. Se não for (como espero) reeleito para a câmara de Lisboa, nem passar de candidato a candidato à presidência da República, fica a ideia no ar para uma alternativa ao desemprego: talvez o aceitem no Chapitô, porque jeito não lhe falta.
Miguel Rodrigues
Os EUA perderam a guerra das palavras, e estão a perder a guerra no terreno, fruto da total desadequação e não preparação para o pós-guerra, que deixa espaço apenas para o caos.
E agora, os mortos que os Estados Unidos da América não querem que o mundo veja, particularmente os seus cidadãos, multiplicando o descontentamento crescente, as múltiplas interrogações, o apuramento dos factos e da verdade. Algo muito penoso para G. W. Bush, que está habituado a mentir desde que se candidatou à presidência americana.
Uma pergunta muito pertinente fica no ar, quando começam a existir países que (muito bem) retiram as suas tropas desta guerra injusta e sem qualquer rumo definido. A coligação americana/britânica vai entregar o poder a quem e com que legitimidade no final de Junho?
Não esquecer que estes são os mesmos EUA que unilateralmente declararam uma guerra neocolonizadora, declinando os pareceres das Nações Unidas.
Miguel Rodrigues
Polícias unidos jamais serão vencidos! Quase que os ouço em surdina...
Eis que decidiram convocar uma greve total das forças de segurança para dois dias após o início do Euro 2004.
Acho bem.
Se o Governo escolhe sempre fazer tudo à sua maneira (incluindo os pagamentos), porque não hão-de as forças de segurança escolher o timing e o pressing certo para verem as suas velhas reclamações e aspirações atendidas?
Desde que não esteja em causa a segurança nacional, a greve (que foi uma vitória de Abril), é sempre uma boa maneira de dar a entender que o pão e o queijo nem sempre estão na mesa do Conselho de Ministros.
Miguel Rodrigues
Neste pior momento, a selecção nacional é o espelho perfeito do nosso Governo... só empatam, perdem, empatam, perdem... ai Ricardo... que dor!
Aguenta coração!
Mas tenho fé: em Junho joga-se a sério! (Algo que o executivo do Dr. Durão não sabe, nem percebe o que é).
Miguel Rodrigues
«ESTUDO RECENTE CONCLUIU QUE A REGIÃO PODE SER INDEPENDENTE
Madeira tem condições para viver como país
JORNAL da MADEIRA — A República de Malta é um dos novos países da União Europeia. Tem uma superfície inferior à da Madeira e uma economia muito dependente do turismo. Será que a Madeira poderia também ser independente?
Alberto João Jardim — Não foi por acaso que mandámos fazer, há pouco tempo, um estudo económico-financeiro sobre as possibilidades de a Madeira viver como país. O estudo concluiu que a Madeira poderia viver independente muito melhor do que muitos países que há por esse mundo fora.
JM — A que escala poderia a Madeira ficar?
AJJ — Íamos ficar à escala do Chipre, que é um país com um bom nível de vida. A Madeira não seria um país miserável. Contudo, entendo que isso seria um erro. Eu e todos os madeirenses somos portugueses, sentimo-nos no mesmo projecto pátrio, de unidade nacional.
JM — Que razões podiam levar a Madeira a defender a independência?
AJJ — A hipótese da independência só se põe quando, não por palavras mas por actos, percebermos que Portugal não nos quer no seu seio de unidade nacional. Nós queremos continuar a ser portugueses. Portanto, não pomos o problema. Porém, estamos atentos e preparados para se algum dia o Estado central nos hostilizar.
Separatismo sem projecto
JM — O separatismo não tem projecto, nem nunca teve?
AJJ — Repare, o projecto da Madeira é um projecto português, é a realização de Portugal no Atlântico. Os responsáveis pelos destinos da Madeira não têm nem querem ter qualquer projecto de separatismo. Se os há é em Lisboa. A independência será um passo em frente se o Estado português nos expulsar ou então eliminar a autonomia política da Região. (...)»
in Jornal da Madeira, 29/Abril/2004
Ontem lutámos por causa da terra. Hoje lutamos por causa do petróleo. Amanhã, lutaremos por causa da água. A Bacia do Rio Níger providencia uma visão útil do que poderá acontecer no futuro – nove países da África Ocidental se juntam para discutir como gerir e partilhar seus recursos hídricos.
Esta área árida da África Ocidental, onde nove países dependem do Rio Níger pela sua sobrevivência, já testemunhou os problemas potenciais causados pela falta de água.
Num passado não muito distante, houve conflitos armados por causa do fornecimento da água, demonstrando que em casos extremos, o futuro poderá ver guerras em grande escala por causa da gestão de recursos hídricos.
Uma falta de água soletra uma palavra sinistra: morte. as comunidades que ganham a vida por pastoreio, da pesca ou da agricultura desaparecem, quando os leitos secos dos rios se tornam em poeira e o deserto avança.
A má gestão dos recursos soletra a mesma mensagem. Uma acumulação de lodo causa bloqueios e mudanças de direcção da caudal, uma falta de atenção pode ver os cursos de água estrangulados por plantas aquáticas flutuantes e uma falta de responsabilidade pode criar problemas massivas de poluição, com a descarga de químicos ou resíduos não tratados no rio, causando a devastação por centenas ou milhares de quilómetros a jusante.
É para discutir estes problemas e para adoptar medidas comuns que nove países se juntaram na Autoridade da Bacia do Rio Níger, sob os auspícios da ONU: Benin, Burkina Faso, Camarões, Chade, Guiné, Costa de Marfim, Mali, Níger e Nigéria, que têm uma população conjunta de 100 milhões de pessoas.
Essa é um acto civilizado, esse é o que a humanidade pode esperar numa nova ordem mundial que reflecte a vinda dum novo milénio. Discussão, debate e diálogo, baseado num espírito de amizade e igualdade, sob a égide da ONU.
É pena que nem todos os países são suficientemente civilizados para abordar a gestão de crises desta maneira.
Timothy BANCROFT-HINCHEY
A Critical Software, empresa de Coimbra, viu premiada a sua excelência informática e recebeu a visita de representantes da NASA, com vista a aprofundar as relações já existentes. Um óptimo exemplo do know-how nacional, que neste caso se centra na robustez de software para missões espaciais.
Ambas as delegações estarão presentes em Lisboa para participar no SPICE 2004 (Software Process Improvement and Capability d’Etermination), um congresso na área de engenharia de software que se realiza no Centro de Congressos do Estoril, de 28 a 30 de Abril e que resulta de uma co–organização da Critical Software e do Spice User Group.
O Spice User Group é um centro internacional, cujo objectivo é também testar as metodologias no software, tal como avaliar o nível maturidade das empresas produtoras de software.
Miguel Rodrigues
«A esquerda devia era agradecer o facto de uma facção do PP não ter conseguido o seu desiderato. Por eles, os cartazes diriam: "Abril é Devolução". Porque as privatizações não chegaram. ZDQ »
«(...) NUESTROS COMPAÑEROS Y COMPAÑERAS DEL MUNICIPIO DE ZINACANTÁN, COMO TODOS LOS PUEBLOS ZAPATISTAS, SOLO LUCHAMOS POR NUESTROS DERECHOS, POR NUESTRA AUTONOMÍA, POR LIBERTAD Y POR JUSTICIA PARA TODOS.
LUCHAR POR ESTOS IDEALES NO DEBE SER UN DELITO, AUNQUE PARA LOS MALOS GOBIERNO Y CACIQUES SÍ ES UN DELITO PORQUE LES AFECTA SUS INTERESES Y SU AMBICIÓN DE PODER Y DINERO. (...)»
Realidade na sociedade portuguesa, foi apurado pelo Eurostat que existem no nosso país cerca de dois milhões de pobres, dos quais 200 mil passam fome, o que corresponde a um quinto da população. Esta informação não constitui uma mudança significativa desde 2001, altura do último estudo, apesar da instituição do rendimento mínimo, o que traz a certeza de que não está a ser feito tudo para ultrapassar este grave problema social.
Um melhor acompanhamento dos beneficiários, bem como um esforço suplementar para a formação profissional e o combate à exclusão social, são as principais metas que continuam por cumprir.
No país do Euro 2004, da Expo 98, dos submarinos, apesar de faltar o pão para alguns, sempre vai havendo circo para nos distrair a todos.
Honra seja feita a entidades como o Banco Alimentar Contra a Fome, com dez delegações a nível nacional e que mobiliza mais de dez mil voluntários. As suas acções nos supermercados e hipermercados são as mais visíveis, mas apenas uma parte do extenso trabalho. A luta contra o desperdício estende-se também a produtores, empresas, transportadores e seguradoras.
Cerca de 1056 instituições (em 2003), encheram as suas despensas nos bancos alimentares, ajudando 195 mil pessoas de norte a sul.
Miguel Rodrigues
Parabéns, Portugal. Parabéns por ter tido a coragem de fazer esta revolução, parabéns a todas as forças da esquerda em Portugal por manterem vivas as revindicações do 25 de Abril, parabéns por ter reconhecido o erro que foi a Guerra Colonial e por ser suficientemente grande para abraçar as ex-colónias como parceiros iguais na CPLP.
Há 30 anos, Portugal acordou do pesadelo em que estagnava, colocou em movimento o processo de libertação política dos povos africanos que foram esforçados a viver sob o regime que esmagava a liberdade de expressão, deu ao povo de Portugal e das ex-colónias uma folha de papel e uma caneta, para escreverem seu destino.
Parabéns, Portugal, por ter sabido assimilar 10% da sua população em poucos meses e parabéns por ter sabido fazer uma revolução sem derramar sangue.
Que mantenha viva a memória dos heróis que fizeram o 25 de Abril e que mantêm a sua chama viva por muitos mais anos.
As vozes da razão
Viva Zapatero e Maduro, os líderes dos governos da Espanha e de Honduras, que anunciaram o retiro dos seus tropas do Iraque, representando a vontade dos seus povos e rectificando o que estava mal. Estas decisões precisaram de grande coragem política, pois Washington não irá esquecer o facto destes dois países terem abandonado a sua coligação, mas Washington não entende o que quer dizer democracia.
Os povos da Espanha e de Honduras não queriam participar numa guerra ilegal e não quiseram ser associados com a chacina de milhares de civis. Muito bem Zapatero e Maduro.
Caos no Iraque
Washington é a Rainha das Mentiras. Mentiu ao seu povo e à comunidade internacional sobre a existência de Armas de Destruição Massiva no Iraque, mentiu sobre a existência dum programa nuclear activo, mentiu sobre a ligação de Bagdade ao Níger, na tentativa de obter urânio “yellowcake” para fazer armas nucleares, mentiu tantas vezes que cada vez que Washington disse algo, há que lembrar do rapaz que gritou lobo.
Uma semana depois da mulher de Saddam Hussein proclamar que o homem que saiu do buraco em Dezembro com as tamareiras carregadas com fruto maduro como pano de fundo (fenómeno que acontece em Agosto), não é o marido dela, agora Washington afirma que a situação no Iraque está a normalizar-se e que os incidentes que ocorrem são de pequena escala.
Quase 100 mortos e 400 feridos numa semana não é violência de pequena escala, é violência numa escala massiva, que não é visto em nenhum outro país, fruto da política agressiva de Washington que desestabilizou por completo este país.
Bush é um fracasso
George W. Bush, além de ser um assassino, um criminoso de guerra e um mentiroso descarado, é um fracasso. O homem que nem consegue comer uma bolacha sem ficar com um olho negro e um lábio cortado se vê confinado aos Estados Unidos da América (nem se atreve a sair dum avião na maioria dos países).
Se os norte-americanos consideram que esse homem é o melhor candidato por causa de oferecer maior garantia de segurança, estão rotundamente enganados. Pravda.Ru recebeu informações esta semana sobre a possível existência de aparelhos nucleares nos EUA, nas mãos de terroristas da Al Qaeda. Uma tentativa de falar com alguém dos serviços de segurança da Embaixada dos EUA resultou num pedido para telefonarmos à Embaixada britânica (também não estava disponível o oficial de serviço).
48 horas depois, ainda ninguém telefonou à Pravda.Ru. Grande segurança, essa.
Xanana em Portugal
Xanana Gusmão esteve esta semana em Portugal, semeando boa vontade e bem-estar, seu sorriso o espelho do coração deste guerreiro-poeta-político. Símbolo do amor que o povo de Timor-leste sente por Portugal e pelos portugueses, Xanana ocupou lugar de destaque nos média neste país que o recebeu como irmão, onde está hoje a comemorar o 30º aniversário do 25 de Abril na tribuna da elite política em Lisboa.
Há dez anos atrás, estava nas florestas de Timor-leste com uma arma na mão, lutando nos FALINTIL contra o invasor indonésio, tal como fazem os “terroristas” e “insurgentes” iraquianos. O resultado será igual e pelas mesmas razões.
No mundo de hoje, não há lugar para a opressão. O Bem vence o Mal sempre.
O 25 de Abril e Xanana Gusmão são testemunhos vivos desta realidade.
Timothy Bancroft-Hinchey
No dia um de Maio irão aderir à União Europeia dez novos países: Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta e Chipre, ampliando para 25 o número total de membros. À espera de uma oportunidade para breve estão os candidatos Roménia, Bulgária e Turquia.
Os cidadãos do leste europeu necessitam de trabalhar, em média, 40 a 65 minutos para poder pagar um Big Mac, enquanto os alemães ou irlandeses, apenas precisam de quinze minutos para o mesmo efeito. A maioria da população que agora ingressa no «clube europeu» ganha menos de 500 euros mensais (o pior exemplo é o da Lituânia, com um salário mínimo bruto de 130 euros). Por aqui se toma pulso da realidade de duas Europas, e a todo o custo se deve evitar que existam também duas velocidades de desenvolvimento.
As excepções a este quadro são a Eslovénia e as ilhas mediterrânicas, Chipre e Malta, que estão ao mesmo nível de riqueza de Portugal e Grécia, actualmente os países mais pobres da UE. A Polónia é o maior dos países agora aderentes, com cerca de 38 milhões de habitantes, dos quais 2500 cidadãos estão ao serviço das suas forças armadas, destacados no Iraque.
Miguel Rodrigues
Mais uma viragem à esquerda num país europeu. Depois da Espanha, foi a vez da Áustria, nas suas eleições de ontem (25 de Abril), ter eleito pela primeira vez em 18 anos um candidato socialista moderado.
Heinz Fischer, de 65 anos, é o novo Presidente da República e venceu o ministro dos negócios estrangeiros, Ferrero-Waldner que era apoiado pelo líder da extrema-direita austríaca, Joerg Haider. O candidato da direita e extrema-direita coligada, conservará o seu lugar no ministério, mas esta vitória não deixa de ser um aviso ao governo pela forma ineficiente como conduz o país.
O último presidente socialista foi Rudolf Kirchschlaeger, e terminou o mandato em 1986.
Miguel Rodrigues
Há precisamente 30 anos, Portugal acordou do pesadelo em que estagnava, da saloiice institucional que queria fazer do país e do povo uma aldeiazinha grande com horizontes limitados.
Muitos são os portugueses que chamam este dia o Dia da Desgraça, principalmente aqueles que perderam seus bens na África, onde o processo de descolonização foi, e é, muito criticado. Culpam o 25 de Abril por isso.
Muitos são os portugueses que fazem comparações negativas com o antes e depois do 25 de Abril, que ficou um ponto de referência em termos de contar o tempo. Lisboa é mais insegura depois, não havia drogas antes, havia mais respeito antes e a juventude é mais insolente depois.
Verdade, inegavelmente mas é injusto culpar o 25 de Abril por tudo. Todos os países são mais ou menos inseguros, dependendo do ciclo sócio-económico que está a passar. No século XIX, em Londres, os homens usavam coleiras de ferro para os proteger contra tentativas de os degolar.
Não foi o 25 de Abril que trouxe as drogas para Lisboa, foram os homens e na abertura da sociedade, o país ficou aberto a correntes vindas de fora. O 25 de Abril fez acordar Portugal e a sociedade portuguesa, trouxe novas oportunidades e igualdade de direitos e pôs um ponto final no mal que foi a Guerra Colonial, que ninguém queria.
Nem estão completamente certas aquelas pessoas que acreditam que o 25 de Abril foi traído. Os dois principais objectivos – a democratização política do país e o fim da Guerra Colonial – foram realizados. Hoje, Portugal tem no Parlamento uma representação fiel da vontade política do seu povo há dois anos (a última eleição). Hoje, Portugal vive ao lado dos seus irmãos na CPLP, comunidade que cada vez mais se une num espírito de cooperação mútua.
Relativamente à descolonização, há que lembrar que Portugal não é uma ilha e que havia forças muito superiores às de Portugal operando contra Lisboa – os recursos de Angola, principalmente, e a posição geo-estratégica das restantes colónias fez com que o Mundo Português de Salazar e Marcelo Caetano fosse um laboratório para os protagonistas da Guerra Fria (Washington, que tentava dominar os recursos do mundo e ainda tenta, e a União Soviética, que tentava contra-balançar).
O quê é que Portugal podia fazer? Tinha de acabar com a guerra, e acabou. Tinha de assimilar cerca de dez por cento da sua população, de dia para a noite, e assimilou, com grande sucesso.
Antes do 25 de Abril, uma mulher não podia viajar para fora sem a autorização do marido, as pessoas não podiam discutir a política em conjunto, as pessoas não tinham a liberdade de ler o que queriam (o pai de Jorge Sampaio incorreu um risco sério em trazer as Obras de Lenine para ele ler), as pessoas não tinham a liberdade de serem elas próprias.
Talvez fosse este o maior feito do 25 de Abril – criou um espaço em que as pessoas podiam crescer como queriam, onde podiam desenvolver a sua sociedade, feito por elas e não pelo regime. Deu ao povo português uma folha branca e uma caneta.
"De acordo com Jorge Sampaio, as dificuldades de Portugal derivam "de inegáveis dificuldades estruturais e de uma conjuntura económica europeia adversa, mas também de opções sobre o investimento público e a gestão de expectativas" — palavras que deixaram as bancadas da maioria PSD/CDS-PP em silêncio.
Para o Chefe de Estado, "a crise orçamental não está superada" em Portugal e, mais grave do que o défice público, continua a existir um "défice estrutural de produtividade e de competitividade".
"Parece-me óbvio que Portugal se deixou atrasar nas reformas que mudam a estrutura e as condições de funcionamento da economia", sendo por isso "necessário recuperar o tempo perdido, efectuando as reformas estruturais que se impõem".
Como soluções, Jorge Sampaio apelou à necessidade de Portugal voltar a uma trajectória de convergência real com a média europeia e a apostar na qualificação e na educação, defendendo um modelo económico mais igualitário na distribuição de riqueza e com protecção social.
"Com preocupante regularidade, aumenta o volume dos desempregados de longa duração, agravando as situações de carência de recursos para muitas famílias, e conduzindo-as a limiares de exclusão, onde as palavras liberdade e cidadania poderão deixar de fazer sentido", alertou o Presidente da República, para quem a luta contra a pobreza e a exclusão "é uma questão de dignidade social e uma obrigação moral indiscutível".
Neste capítulo, Jorge Sampaio deixou um recado ao Governo: "qualquer que seja o caminho para o necessário modelo de desenvolvimento alternativo, é fundamental que não se recue, precipitadamente, no domínio das políticas sociais preventivas e de emergência", disse. (...)
Sobre os 30 anos de democracia em Portugal, o Chefe de Estado reconheceu a existência de progressos, mas sustentou que o país "ainda não recuperou inteiramente" de algumas marcas deixadas pelo Estado Novo.
Segundo Sampaio, Portugal ainda não venceu totalmente "a apatia cívica, a desconfiança nas instituições e na política, a falta de espírito crítico [substituída pela maledicência inconsequente e avulsa], a desresponsabilização, a impunidade, a opacidade, a intolerância e o desrespeito pela diversidade".
Fenómenos que Sampaio disse perpetuarem-se num quadro de "nostalgia do unanimimismo, e da uniformidade, de confusão entre estabilidade e imobilismo e de subserviência ao poder".
Ainda assim, o Presidente deixou um balanço positivo dos 30 anos de democracia, "um dos períodos mais notáveis da história portuguesa": "O país que somos hoje está certamente muito longe do país que desejamos ser amanhã, mas está ainda mais longe do país bloqueado e sem futuro que éramos ontem, em 1974".
in Público, 25/Abril/2004
"O primeiro-ministro, Durão Barroso, e o ministro da Defesa, Paulo Portas, foram recebidos com assobios quando chegaram à tribuna para assistir à parada militar que assinala hoje os 30 anos do 25 de Abril.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, acompanhado pelo presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi aplaudido pelos populares que assistem à parada e que também receberam com palmas o presidente da Assembleia da República, Mota Amaral.
Membros do Governo, chefes militares e altos representantes do Estado assistem ao desfile militar na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Durante tarde, pela mesma avenida passou uma manifestação popular [com milhares de pessoas]. "
in Lusa, 25/Abril/2004
Em boa verdade não vivi o 25 de Abril, pois ainda não tinha nascido e os meus pais ainda não tinham casado.
A minha mãe, aluna finalista de Línguas Românicas em Coimbra, viveu a revolução mais intensamente no meio estudantil, na caça aos bufos e no saneamento de professores e funcionários. Havia no dia 25 a informação de que estava em marcha «uma revolução em Lisboa», mas muita apreensão por não se saber se era de direita ou esquerda. Interessante como nos dias seguintes se desobriram algumas pessoas, supostos amigos, que eram quem fazia relatórios para a PIDE (na altura já DGS). Agora se tornava tão claro porque é que depois de algumas «conversas» se acordava, no dia seguinte, com uma prisão ou uma rusga da polícia política. O meu avô ainda esteve a braços com uma, em busca de livros subversivos. Felizmente não chegaram a um canto do sótão!
O meu pai, que deixara a tropa há dois anos, trabalhava na revisão durante a tarde na «Época» e à noite n'A Capital, tendo no dia 25 de Abril participado na feitura de 10 edições! Os militares não ocuparam estas instalações, mas a liberdade de imprensa fez-se sentir desde logo, com a edição planeada para sair, visada pela censura, a ficar pelo caminho...
No dia 30 de Abril haveria de estar no aeroporto à procura de armas, mas isso são histórias mais obscuras.
No Verão quente de 1975, altura de grande tensão, já estavam os meus pais casados e andava eu a dar murros e pontapés na barriga da minha mãe e posso dizer que vivi um pouco de toda esta agitação. Bébé em tenra idade, estive no levantamento de Rio Maior, em Novembro, no limiar da quase guerra civil, onde fiquei a saber que «se em Lisboa querem comida, então façam omeletes de parafusos!»
Como em todos os episódios da vida de uma pessoa e de um país, existiram coisas boas, coisas menos boas e coisas más, mas o mais importante foi o golpe de estado ter acontecido, porque provocou a revolução com a adesão maciça do Povo. Conquistou-se a Liberdade, Democracia, Justiça, Igualdade, e um sorriso imenso, numa luta que ainda não terminou e deve ser, ainda hoje, encorajada.
Miguel Rodrigues
Às 04h26 o locutor Joaquim Furtado fazia a leitura do primeiro comunicado do MFA, aos microfones do Rádio Clube Português:
«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.»
Esta música constituiu a senha a nível nacional, e foi colocada no ar no programa Limite, tendo sido previamente gravado por Carlos Albino e Manuel Tomás em bobine, e transmitido pela Rádio Renascença, à meia noite, vinte minutos e dezanove segundos, e significou o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
A cronologia completa dos aconcimentos pode ser consultada aqui.
Estava dado o arranque da terceira grande revolução do sec. XX português (as outras duas foram a implantação da República em 1910 e o golpe ditatorial de 1926), que iria, sem qualquer dúvida, influenciar mais tarde a viragem democrática da Espanha e da Grécia.
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Letra e música: José Afonso
Às 22h55 do dia 24 de Abril ouve-se «E Depois do Adeus» nos Emissores Associados de Lisboa, colocada por João Paulo Diniz a partir dos estúdios do Rádio Clube Português, música que vencera o Festival da Eurovisão e era a primeira senha para que as forças revoltosas saíssem dos quartéis.
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
Paulo de Carvalho
Música: José Calvário
Letra: José Niza
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
in Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa
“Minutos antes de a sexta revisão constitucional ser aprovada na Assembleia da República, com os votos a favor da maioria e do PS e os votos contra do PCP, BE e PEV, o PSD avisava que não desistirá de lutar por uma revisão profunda da Constituição e por fazer valer as propostas que ficaram pelo caminho. «Não perderemos tempo em voltar a insistir no que hoje [ontem] não foi possível concretizar».(...)
«Amanhã é dia de começar a lutar» por uma nova revisão que retire à Constituição a sua carga ideológica. A eliminação do preâmbulo da Lei Fundamental e a alteração das normas que reflectem a carga ideológica saída da revolução de Abril foram duas das propostas apresentadas pela maioria, que acabaram por ser travadas pelo PS. Mas a maioria promete voltar à carga. «Não queremos reescrever a História, mas não se pode ser indiferente à evolução. A Constituição é para unir e nenhuma marca ideológica une»(...)
Também Diogo Feyo, do CDS/PP, disse estar satisfeito «mas inconformado» com a revisão constitucional, alertando que «ainda há caminho a trilhar».(...)
Apesar de o aprofundamento das autonomias regionais ter sido o ponto forte desta revisão, foi a sobreposição do direito comunitário à Constituição que levantou maior contestação. Sobretudo do PCP, BE e PEV, que votaram contra a revisão por causa do que disseram ser «a mutilação da soberania nacional». Um grupo de deputados do PS (Jaime Gama, Alberto Costa e Medeiros Ferreira, entre outros) apresentou uma declaração de voto, manifestando reservas a esta alteração.
Desta revisão sai ainda o princípio da limitação dos mandatos de cargos executivos, a proibição de discriminação em razão da orientação sexual (que suscitou reservas de alguns deputados do PSD), o reforço dos poderes do Parlamento no acompanhamento de missões das forças de segurança no estrangeiro e a criação de uma nova entidade reguladora da comunicação social.”
Inês David Bastos
in Diário de Notícias, 24/Abril/2004
De inegável pertinência, transcrevo o artigo do Prof. Vital Moreira, que recolhi no Blog Causa Nossa
Revisão constitucional
«As disposições dos tratados que regem a União Europeia e as normas emanadas das suas instituições, no exercício das respectivas competências, são aplicáveis na ordem interna, nos termos definidos pelo direito da União, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático».
Esta é uma das normas introduzidas na CRP pela revisão constitucional “blitz” que acaba de ser debatida e aprovada na AR. Trata-se porventura da mais importante alteração da Constituição desde a sua aprovação em 1976. A partir de agora a CRP deixa de ser a Lei suprema do País no sentido tradicional do termo, visto que o direito comunitário, a começar pela futura Constituição Europeia, passa a prevalecer sobre ela.
Pode não se contestar a solução em si mesma, que é imposta pela própria lógica da construção supranacional da UE, e que desde há muito era sustentada pela jurisprudência e pela doutrina comunitárias. Sem essa cláusula de “autoderrogação” constitucional seria impossível ratificar a Constituição Europeia, a qual verbaliza expressamente o princípio da supremacia do direito comunitário sobre o direito interno, sem excluir as constituições nacionais. O que é menos curial, porém, é o procedimento expedito que permitiu aprovar uma alteração tão importante da Constituição de maneira tão célere, à margem dos requisitos procedimentais de uma “democracia deliberativa”.
Inserido por VM 23.4.04"
Não resisti a transcrever este artigo que recolhi no blog da Grande Loja do Queijo Limiano.
Aqui vai na íntegra:
“O simpático e erudito Dr. Pedro Roseta, que usa o título de Ministro da Cultura, é como pedra que não rola: cria musgo.
Na área do património cultural, o Ministro parece estar a treinar para homem-estátua. A Lei do Património Cultural (LPC), que entrou em vigor em Novembro de 2001, continua a não passar de um conjunto de boas intenções, por carecer da regulamentação que deveria ter sido aprovada no prazo de um ano. A fusão do IPA com o IPPAR, anunciada em Maio de 2002, debaixo de forte polémica, continua por concretizar. Já se perdeu a conta ao número de vezes que o MC adiantou publicamente datas para a consumação desta fusão, todas sucessivamente adiadas para o trimestre seguinte, a pretextos vários.
Quando muitos já vaticinavam que o Ministro teria arrepiado caminho, por ter descoberto a confusão em que se ia meter, veio Roseta declarar ao Público de 20 de Abril que: "a fusão do IPA e do Ippar está na lei e vai ser cumprida. O como e o quando é que estão a ser estudados". Ou seja, dois anos depois, o MC continua a estudar um dossier sobre o qual tinha tantas certezas e que constituiu uma das suas primeiras iniciativas políticas. Para além do carácter recorrente, tal estudo aparece envolto em mistério. Afirma o Público que “o Ministério da Cultura continua sem ouvir os especialistas e sem avançar quaisquer pormenores sobre a estrutura do futuro instituto”. O próprio Director do IPA diz desconhecer o teor do projecto em preparação. No site do MC nada consta.
"Não me parece que este seja um dos principais problemas do país", defende-se Roseta. Talvez não seja, mas será certamente um dos principais problemas a cargo de um Ministro da Cultura que já cumpriu metade da legislatura.
Curiosa noção das responsabilidades políticas!
À espera da anunciada fusão, os institutos – em especial o mais frágil, o IPA – estão compreensivelmente à deriva. Com indefinição de políticas e de lideranças, sem planeamento a médio e longo prazo, afectados por cortes orçamentais cegos, deixam de cumprir até as obrigações mais básicas que a Lei lhes impõe.
“Constitui particular dever do Estado e das Regiões Autónomas aprovar os planos anuais de trabalhos arqueológicos”, dispõe o n. 2 do artº. 76º. da LPC. “Anualmente, e na sequência de publicitação adequada nos órgãos de comunicação social, poderão ser apresentadas candidaturas à obtenção de financiamento no âmbito do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos”, garante o nº. 3 do artº. 4º. do Regulamento de Trabalhos Arqueológicos aprovado pelo D.-L. n.º 270/99. A estes comandos legais dá o IPA pós – Roseta o seguinte peculiar cumprimento: “com as restrições orçamentais conhecidas, não será viável proceder à abertura de novo concurso para financiamento do PNTA no corrente ano económico”. Porém, em paralelo, o MC continua alegremente a gastar dinheiros públicos em múltiplas acções que – independentemente dos seus méritos – não correspondem a particulares imposições legais.
Curiosa aplicação do princípio da legalidade!
Igualmente curiosa é a situação relatada no Público de 8 de Abril (p. 41 – link não disponível). Nomeado em 2002, em regime de substituição, o actual Director do IPA só poderia ter exercido funções por um período não superior a seis meses, improrrogável. Não obstante, mantém-se em funções, na mesma situação, face ao arrastamento da reorganização institucional do sector. O gabinete do MC diz que a regularização do caso está em curso, acrescentando, segundo o mesmo Público, que “é possível a nomeação com efeitos retroactivos que ratifica os actos praticados”.
Não poderá ser negado o carácter fortemente original desta gestão por omissão do Ministério da Cultura, associada a uma reconstrução do passado, afinal tão próxima da prática arqueológica.
Dentro da mesma ordem de ideias, talvez seja chegado o momento de Durão Barroso recorrer ao empossamento, quiçá também retroactivo, de um novo Ministro da Cultura, sob pena de o Palácio da Ajuda ficar oculto debaixo de um espesso manto de musgo...
Publicado por Gomez às 23:05 ”
Vivemos num mundo onde precisamos de nos esconder para fazer amor, enquanto que a violência é praticada em plena luz do dia...
John Lennon
Não é lisonjeando o mau gosto e as péssimas ideias das maiorias, indo atrás delas, tomando por guia a ignorância e a vulgaridade, que se hão-de produzir as ideias, as ciências, as crenças, os sentimentos de que a humanidade contemporânea precisa.
Antero de Quental
Na Guerra do Vietname a chegada dos mortos embaraçava o aparelho governamental americano, pelo que desde aí os Presidentes ficaram receosos do impacto desse momento junto do povo.
Bush, que ainda não assistiu a nenhuma cerimónia em honra dos soldados mortos, numa medida inédita, baniu totalmente a cobertura televisiva e fotográfica da chegada das urnas, cobertas com a bandeira, aos Estados Unidos.
A manipulação dos factos do que realmente está a acontecer no Iraque chegou a um novo patamar. Em vésperas de eleições, a admnistração Bush apenas deixa passar a informação que quer, como quer. Algumas das imagens proibidas pelo Presidente americano podem ser encontradas em thememoryhole.org/war/coffin_photos/ (devido ao grande número de acessos é provável que o servidor esteja muito lento).
No sítio do Departamento de Defesa norte-americano (www.dod.mil/news/) é possível encontrar os relatórios que indicam o número de soldados feridos e mortos em diversas missões.
Pode-se verificar, no relatório de hoje, que existiram até agora 709 mortos e 3864 feridos no Iraque, e 80 mortos no Afeganistão. Interessante que não existem dados sobre feridos que tenham morrido posteriormente, ou sobre os estropiados (e consequentemente com a sua vida drasticamente alterada, para não dizer destruída), pelo que me leva a crer que os hospitais militares americanos, além de serem os melhores do mundo, são também 100% eficientes.
A guerra é injusta, passará a decorrer atrás de cortinas, tentando ocultar um beco sem saída que toma proporções ainda mais monstruosas dia após dia. Este é o mentecapto que o Governo do primeiro-ministro Durão Barroso apoia.
Miguel Rodrigues
"Não estamos a transformar os consumidores em cobaias! Estamos só a dar-lhes a oportunidade de experimentar uma coisa absolutamente nova, ainda não muito testada, mas quase de certeza segura! Bem, pelo menos esperamos nós. De qualquer forma está escrito no rótulo que é modificado genéticamente, se o consumidor compra e não sabe o que é... azar!"
Patrão duma qualquer empresa produtora de OMGs
"Com estes dois novos submarinos Portugal vai passar a ser uma super-potência atlântica ou mesmo mundial e nunca haverão ataques terroristas em Portugal e o tráfico de droga cessará. Além disso, a União Sovi... perdão... além disso, seremos uma peça super importante na NATO".
Pitbull castrado da Defesa
"Apoiamos a política do nosso amigo Sharon. Porque não? Os muçulmanos islamitas também não querem colonizar o mundo com os seus ataques terroristas? Não podem ser egoístas..."
Bush, o mentecapto americano
"Isto parece uma campanha eleitoral! É pena é não poder sair nem das instalações da PJ, nem do Tribunal."
Valentão Louro, senhor do Apito
"Concorrência? Qual concorrência? Isso acabou quando comprámos a AdTranz. A Bombardier tinha de fechar em Portugal porque não existe produção... mmmm... Metro do Porto? Metro do Mondego? Metro da Margem Sul? Comboios de Alta Velocidade? Pois... mas temos mais fábricas, sabiam?"
Chico-esperto da Bombardier
"E a nós? Por favor, quem nos defende do ministro?"
Polícia em manifestação na Pç do Comércio
Miguel Rodrigues
“Todos os alimentos para consumo humano e animal que, na sua composição, incluam ingredientes transgénicos vão ter de informar o consumidor dessa presença. A lei comunitária entra em vigor a partir deste fim-de-semana mas isso não quer dizer que, depois de segunda-feira, os rótulos já estejam todos actualizados. É que todos os bens cujo processo produtivo se tenha iniciado antes do próximo dia 18 não são obrigados a cumprir as novas normas. Daqui para a frente, já não haverá excepções. (...)
O consumidor tem o lugar central nestas leis. "O que está em questão não é tanto a segurança alimentar mas mais o direito do consumidor em estar informado, porque tudo o que até agora tem sido avaliado em matéria de OGM tem indicado que estes são seguros", afirmou Lurdes Camilo, da Direcção-Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar (DGFCQA). (...)
"Temos de ter grande confiança nos fornecedores", explica Jaime Piçarra, da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA). Ou seja, o produtor tem de acreditar que o seu fornecedor está a dar-lhe todas as informações. Mas esta exigência esbarra nalguma resistência por parte de países como os Estados Unidos, que não consideram que se esteja perante um problema de segurança alimentar.
"Se os documentos não forem verdadeiros, como é que podemos garantir que não há transgénicos?", questiona Isabel Sarmento, da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA). "É que, muitas vezes, não é possível detectar se há transgenes, por mais análises que se façam", acrescenta.”
in Público, 16/Abril/2004
***
“O agricultor canadiano Percy Schmeiser, de 72 anos, terá seu caso apreciado em primeira audiência na Suprema Tribunal do Canadá a 20 de janeiro, por conta de processo movido pela empresa multinacional Monsanto. Depois de cultivar canola por mais de 50 anos, Schmeiser foi surpreendido por uma notificação da empresa em 1998, acusando-o por infringir a lei de patentes, quando sua lavoura de canola foi contaminada por sementes transgénicas. (...)
O governo da província de Ontário e uma coligação internacional de ONGs pediram para ser ouvidos no processo. A decisão dos canadianos terá reflexos noutras partes do mundo.(...) Será a primeira vez no mundo que um Tribunal Supremo se pronuncia sobre engenharia genética em commodity agrícola versus o direito do agricultor convencional.
Em julgamentos anteriores noutras instâncias, decidiu-se que a produção de todos os campos da propriedade do agricultor, contaminados ou não, deveriam ir para a Monsanto, por conta da introdução na área da semente modificada através da tecnologia detida pela empresa. "A lei de patentes é completamente contra os direitos dos agricultores" denuncia Schmeiser. Ele já gastou cerca de 250 mil euros com o processo. "Usei o dinheiro da minha reforma, hipotequei a minha terra e a minha casa. Se eu perder o caso, perco tudo o que construí na minha vida inteira", afirma.
As sementes foram parar à plantação de Schmeiser carregadas por agentes como vento ou pássaros, a partir das propriedades dos vizinhos. Segundo o mesmo, os agricultores canadianos começaram a usar as sementes transgénicas porque acreditaram que seriam mais nutritivas, teriam melhor qualidade e menor necessidade de produtos químicos. No entanto, "depois de cerca de três anos, as sementes necessitavam cinco vezes mais de agrotóxicos, e a produção era 15% menor que a convencional, com metade da qualidade", comenta.
Para ele, as desvantagens dos transgénicos incluem ainda o contrato arbitrário que os produtores assinam com a Monsanto. "Um agricultor não pode usar a sua própria semente ano após ano; ele tem de a comprar, todos os anos, à Monsanto. Também deve comprar o herbicida Roundup Ready [o popular glifosato], à multinacional. E deve pagar à companhia cerca de 45 euros por hectare/ano como taxa de tecnologia".
Porém havia uma claúsula subordinando ainda mais os agricultores à empresa, que segundo Schmeiser permite que a Monsanto entre nos terrenos e confirme o que se está fazer.”
in Adital (Canadá), 15/Janeiro/2004
Os alimentos transgénicos são a nova coqueluche das empresas de biotecnologia, e com ela podem transformar o mercado agrícola e alimentar mundial. O The Guardian publicou em meados do ano passado um estudo que indicava a produção de beterraba transgénica como prejudicial ao meio ambiente e no caso do milho, estavam ainda a ser discutidos os resultados obtidos.
Uma das bandeiras destas novas empresas é a produção abundante, que serviria, principalmente nos países mais pobres, para acabar com a fome.
Mas não sejamos ingénuos. Neste mundo neoliberal, nada se dá de graça. As sementes que nascem deste novo tipo de agricultura são estéreis (patenteadas com o sugestivo nome “terminator”), o que implica a compra ano após ano de novas sementes ao produtor. Quanto à abundância (e à qualidade da mesma), continuam as dúvidas.
Nos Estados Unidos os alimentos transgénicos são tratados como alimentos convencionais (o que não são, porque sofrem manipulações genéticas, sendo introduzidos genes de - por exemplo - bactérias, vírus, insectos e outros animais), não são feitas análises profundas que analisem todos os potenciais riscos (consultar www.biointegrity.org), não são monitorizados no pós-comercialização (para averiguação de situações adversas ou de riscos previsíveis ou imprevisíveis), e não existe uma rotulagem clara e completa.
Os ganhos económicos foram analisados pela Universidade de Iowa (EUA), que concluiu que em 1999 a aplicação desses lucros (em 55%), ficaram na empresa produtora das sementes, enquanto apenas os outros 45% foram distribuídos aos milhares de agricultores. As empresas são, de longe, as grandes beneficiárias de todo o processo.
No livro "Seeds of deception" [Chelsea Green Publishing Company; Setembro/2003], de Jeffrey M. Smith, o autor indica que apenas 10 estudos sobre o uso de alimentos transgénicos em animais foram publicados, sendo que apenas dois são independentes. Um encontrou danos no sistema imunológico e em órgãos vitais, bem como uma condição potencialmente pré-cancerígena. E quando o cientista procurou alertar o público sobre isso, perdeu o emprego e foi silenciado com ameaças de processos judiciais. Outros dois estudos, da mesma forma, mostraram evidências de uma condição potencialmente pré-cancerígena. O autor menciona ainda que estudos não publicados revelam que cobaias alimentadas com transgénicos desenvolveram lesões estomacais e que 7 em 40 morreram no prazo de duas semanas.
Miguel Rodrigues
“Já antes desta incursão-relâmpago à exploração agrícola, Durão tinha passado pela central que regula toda a rede de regadio. Ali lhe foram explicadas as novas tecnologias que orientam todo o processo. «E quantos técnicos tem?», questionou o primeiro-ministro. A que obteve como resposta: «Um. Mas para o o ano será zero.» Durão ainda gracejou: «É o problema do desemprego!...» “
in Diário de Notícias, 21/Abril/2004
“Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem será desperdiçado na compra de submarinos, tendo-nos pedido que justificássemos tal opção. Não o faremos.”
Comunicado da NATO
in Diário de Notícias, 21/Abril/2004
“Universidade [Clássica de Lisboa] em 381º lugar do "Ranking Académico das Universidades do Mundo 2003", realizado entre 2000 e 2003 pelo "Institute of Higher Education", no Japão.
"É para nós uma grande honra porque é a única entre 500", comenta António Vasconcelos Tavares, pró-reitor e professor catedrático de medicina dentária da Universidade de Lisboa.”
in Público, 21/Abril/2004
“Mordechai Vanunu, o homem que revelou ao mundo os segredos nucleares de Israel, foi hoje libertado da prisão de Shikma, Askhelon (sul de Israel), depois de 18 anos de reclusão.
No decorrer de uma conferência de imprensa improvisada à saída do cárcere, e apesar de várias tentativas dos agentes que o rodeavam para interromper as suas declarações, Vanunu afirmou-se "orgulhoso e contente" por ter revelado os segredos nucleares de Israel e disse que o Estado hebreu "não precisa de armamento nuclear".
in Público, 21/Abril/2004
“Durante o Estado Novo, quando editados, os livros iam à censura prévia, ou seja, eram lidos por uns senhores que decidiam sobre se era ou não conveniente ao regime que eles fossem lidos pela população. E, quando esses senhores decidiam que não, os livros eram proibidos. É precisamente sobre esses livros que, hoje ao fim da tarde, se inaugura uma exposição na Livraria Parlamentar da Assembleia da República.”
in Público, 21/Abril/2004
“PS, PCP e Bloco de Esquerda (BE) defendem uma gestão escolar democrática, da responsabilidade dos professores. Ao passo que a maioria PSD/CDS-PP quer uma gestão das escolas profissionalizada, com escolha dos dirigentes através de processo público e dependente de formação adequada. (...)
O Governo entende ainda criar três ciclos de ensino, cada um com seis anos de duração, a que chamará: infantil (o actual pré-escolar), básico (do 1º ao 6º ano) e secundário (do 7º ao 12º ano). PCP e BE manifestam-se contra e defendem a manutenção de um currículo unificado de nove anos. "Não é aceitável que o Governo pondere diminuir o tronco comum do currículo - que corresponde aos instrumentos e competências essenciais para a transformação da informação em conhecimento - no exacto momento em que a sociedade assenta crescentemente no saber", escreve o BE. (...)
Em comum os diplomas têm o facto de alargarem a actual escolaridade obrigatória de nove para 12 anos, seja ela cumprida nas escolas secundárias, seja através da formação profissional.”
in Público, 21/Abril/2004
«A Soiuz acoplou ao módulo russo Zaria e a nona tripulação - André Kuipers, holandês, Edward Michael Fincke, norte-americano, e Guennadi Padalka, russo - já entrou na ISS. Os dois últimos vão ficar na estação espacial durante os próximos seis meses e o holandês deverá regressar à Terra dentro de nove dias, juntamente com Michael Foale e Alexander Kaleri. Estes estão a bordo da ISS desde Outubro passado.
De acordo com a ESA (Agência Espacial Europeia), Padalka será o comandante da nona tripulação na ISS.
As naves de fabrico russo são o único meio para se chegar à estação espacial desde a suspensão dos voos norte-americanos do Space Shuttle, depois do desastre do Columbia em Fevereiro do ano passado.»
in Público, 21/Abril/2004
E os submarinos vêm mesmo. Não há volta a dar-lhe. Os jornais fazem manchete hoje sobre a recusa da NATO em considerar essencial a compra deste novo luxo da Marinha de Guerra portuguesa.
Podem dizer que é uma nova arma de combate ao terrorismo e ao tráfico, uma peça fundamental de dissuasão, uma medida importante no apetrechamento da Marinha... a NATO (por muito que se goste ou se deteste), considera um desperdício. E nisto estou de acordo. Mesmo equacionando as contrapartidas, são 770 milhões de euros. Um país que não é rico não se pode dar ao luxo de dispender sem mais nem menos. E ladra o pitbull castrado que temos na Defesa: dois submarinos para a mesa do canto, para os senhores de boné e fato branco... Isto não é defender os nossos interesses, nem os interesses dos portugueses. É deitar dinheiro fora. É fazer barquinhos com as notas de euro, metê-las na água e esperar que se afundem.
Este contrato de leasing assinado pelo ministro Paulo Portas é ao mesmo tempo um endividamento importante do qual os nossos netos ainda se vão lembrar, pois os seus impostos irão ainda pagá-lo. Este Governo é responsável por este uso leviano dos nossos impostos. Não há justiça nem racionalidade nestas opções faraónicas.
Não se pode compreender nem aceitar que em Portugal faltem infraestruturas educativas, médicas e de apoio social, não exista modernização do Estado (principalmente do aparelho da Justiça), uma economia subdesenvolvida, um crescimento científico pouco mais que medíocre, e se aposte como prioridade na compra de submarinos. As próprias Forças Armadas têm outros «pedidos» de maior necessidade.
Mas não. Dialogar com este Governo é como falar para o boneco. Qual o destino a dar aos nossos impostos, dos nossos filhos e dos nossos netos como medida reestruturante e de projecção para o nosso futuro?
- Comprar submarinos.
O futuro que merecemos não passa - infelizmente - a curto trecho pelo desarmamento, mas também não passa pelo armamento desnecessário. E passa ainda muito menos pela reeleição deste Governo energúmero, ignóbil e autista.
Miguel Rodrigues
“São dois os principais problemas de Portugal: os poucos pessimistas profissionais, que passam a vidam a contaminar o resto da população, e uma governação inadequada, ineficiente, ineficaz e fora de contacto com a realidade no país.
Que Portugal e os portugueses têm inegáveis qualidades, não hajam dúvidas. Não é por nada que Portugal é um país independente e a Catalunha, a Bretanha, a Escócia e a Bavária não são. Não é por nada que o português é a sétima língua mais falada no mundo, a frente do alemão, do francês e do italiano.
No entanto, estas qualidades precisam de ser cultivadas por quem foi eleito para liderar e dirigir o país. O que acontece é que nem agora, nem por muito tempo, Portugal tem tido líderes dignos do seu povo, capazes de liderar a nação, realizar os projectos que foram escolhidos para realizar.
O resultado é uma onda de pessimismo, no meio dum mar de desemprego, desinteresse e desorientação que serve de combustível para a economia emocional não funcionar, aquela economia que é tão importante quanto a economia das quotas de oferta e procura.
A consequência é uma retracção não só da economia mas também do psique da sociedade, com uma introversão patológica a manifestar-se no escrutínio colectivo do umbigo nacional, ou um pouco mais abaixo. A não-história da pedofilia, já uma psicose nacional, é um belíssimo exemplo de até onde pode chegar uma sociedade quando nem é orientada nem estimulada a pensar em horizontes mais saudáveis.
Há mais que um ano, a imprensa portuguesa regurgita a história do abuso sexual de meninos do orfanato/escola Casa Pia, apontando nomes sonantes da vida pública que nem têm lugar aqui, visto que até ser provado ao contrário, uma pessoa numa sociedade civilizada, é considerado inocente. Na busca de quem foi ou quem não foi, deu origem ao levantamento na praça pública duma lista substancial de nomes do mundo artístico, desportivo, e político, aos mais altos níveis.
Não é a causa do pessimismo em Portugal, mas espelho dele. A noção que “nós não prestamos, somos os coitadinhos da Europa e a alta sociedade é podre” se ouvia nos finais dos anos 70, desapareceu e com a não governação do primeiro ministro José Barroso, voltou. Está tangível, quanto mais para um estrangeiro que ama e estuda este país há 25 anos.
Outra manifestação deste pessimismo é a negatividade ao nível das conversas nos cafés (inaudíveis nos claustros de cristal onde pairam os governantes do país) acerca dum evento que a priori é a melhor hipótese que Portugal alguma vez tem tido para se projectar na comunidade internacional – o Euro 2004.
O Euro 2004 é o ponto desportivo mais alto na história quase milenar de Portugal. É um dos três mais vistos eventos televisivos no mundo e é uma excelente oportunidade de enterrar de vez a falácia que Portugal é uma província espanhola.
Mas o quê é que acontece? Enquanto o resto da Europa se prepara com entusiasmo para o Campeonato da Europa em Futebol, se ouve em Portugal por todo o lado que os estádios não estão preparados, ou que não são seguros, ou que os aeroportos não estão adequados ou que vai haver problemas com hooliganismo ou com terrorismo.
Disparate! Ou pior, uma vergonha, por quem perpetua este tipo de lixo, que se chame notícias por aí. Para começar, os estádios são tão prontos que já se joga futebol neles. Segundo, as normas de segurança têm de obedecer rigorosíssimas normas de controlo estipuladas pela inflexível UEFA. Terceiro, os aeroportos têm dos sistemas mais avançadas de controlo de tráfico aéreo, total e completamente integrados nos da União Europeia e mais, os adeptos não vão todos chegar no mesmo dia, nem todos de avião. Quarto, quando os bilhetes foram vendidos na Internet, foi consultado a base de dados proferido pelas forças policiais dos países presentes no Euro 2004. Quinto, Portugal é alguma vez um alvo para ataques terroristas, desde quando? Só se fossem as FP-25 de Abril.
Porém, onde estão as autoridades a explicarem a verdade, a estimular a população, a instilar o optimismo, não só para o Euro 2004 mas para galvanizar a economia, a liderar o país? Exactamente onde estiveram, estes ou outros, quando os interesses dos portugueses estavam a ser vendidos por um preço barato, o que levou gradualmente à situação actual em que uma família portuguesa gasta substancialmente mais do seu ordenado em necessidades básicas do que no resto da Europa.
Não se admite que num supermercado espanhol, se encontra exactamente os mesmos produtos bem mais baratos do que em Portugal, não se admite que no Reino Unido o cesto básico de alimentos custa bastante menos, quando se ganha cinco, seis ou sete vezes mais. Há duas semanas, vi três restaurantes no centro de Londres com a cartaz “Comam o que quiserem por £5.45” …9 Euros, ou um pouco menos.
Os portugueses gastam uma fatia tão grande do seu ordenado em mantimentos fundamentais que não há capital disponível para os serviços, restringindo a economia a um modelo básico e muito primário.
Se bem que Portugal é um país pequeno, também é a Bélgica, a Dinamarca, os Países Baixos, o Luxemburgo, a Suiça, a Irlanda. Estes países têm um plano de médio e longo prazo e nestes países ganham os lugares de destaque pessoas competentes e devidamente qualificadas e formadas.
Em Portugal, o plano é ganhar as próximas eleições, ponto final. O que acontece depois? Há uma onda laranja ou cor-de-rosa a varrer o país e ocupar todos os quadros altos e médios, seja em ministérios, em faculdades, em firmas, até em hospitais. O grande plano é, quanto muito, de quatro anos, o que explica a pequenez de pensamento e a falta de visão personalizada por uma ministra das finanças que trata a economia do país como se fosse uma dona de casa maníaca, que, munida com uma tesoura gigante, tenta transformar um lençol de cama de casal numa bata para uma boneca diminuta…corta, corta, corta.
O resultado disso tudo é o que se vê: desempregados à espera do fundo de desemprego durante largos meses, não semanas, sem receberem um tostão do governo que elegeram para os proteger.
Quão conveniente por isso que o país fala de pedófilos e não da economia, do emprego, da falta de poder de liderança deste “governo” PSD/PP, da ausência duma cariz democrático, ou social, ou popular, da ausência do contacto ou calor humano destes, que foram eleitos para proteger seus cidadãos. O que fizeram? Absolutamente nada. Lamentaram que o país era um caos, e se calaram. Então, onde estão as políticas de salvação?
Portugal está, e por muito tempo tem sido, liderado por uma argamassa de cinzentos incompetentes que venderam os interesses do país irresponsável e negligentemente para fora.
Portugal precisa de quem tenha o brio e a chama suficiente para incendiar a paixão do povo deste país lindo, desta pérola do Atlântico, de ajudá-lo a ir ao encontro dos seus sonhos, acreditar em si, redescobrir as suas consideráveis qualidades e colocar Portugal num lugar de destaque entre a comunidade internacional. O leitor pode apontar quem tenha feito isso nos últimos anos? O José Barroso está a fazê-lo?
Caso contrário, se não descobrir, e rapidamente, quem for competente para governar este país, os projectos audazes e brilhantes, que vão de mãos dadas com o espírito e a alma portuguesa, como por exemplo a EXPO 98 e a EURO 2004, ambos com uma gestão excelente e uma preparação de que poucos países poderiam gabar-se, perder-se-ão no mar de lamúria de assola Portugal.
Francamente, a paciência dos que tanto lutaram para fazer qualquer coisa deste rectângulo atlântico, começa a esgotar-se. Já que gostam de dizer que quem não está bem deve mudar-se, começa a ser uma excelente ideia. “
Timothy Bancroft-Hinchey
in Pravda, 09/Janeiro/2004
"Valentim Loureiro, detido hoje para interrogatório pela Polícia Judiciária por suspeitas de tráfico de influências na arbitragem e corrupção, diz que ainda "não sabe do que está indiciado" e que aguarda ser ouvido pela PJ e por um juiz." (...)
O "antigo presidente do Boavista, foi detido para interrogatório no âmbito da operação "Apito Dourado" da PJ, juntamente com mais 15 pessoas, no âmbito de uma investigação sobre a existência de tráfico de influências na arbitragem e falseamento de resultados desportivos. (...)
No decurso da complexa operação, a Polícia Judiciária procedeu à detenção de 16 (dezasseis) pessoas, dirigentes desportivos e árbitros, com idades compreendidas entre 31 e 67 anos, por haver fortes indícios da prática de crimes de falsificação de documentos, corrupção no fenómeno desportivo e tráfico de influências, tendo realizado cerca de 60 (sessenta) buscas em domicílios e organismos desportivos e autárquicos, para detecção e apreensão de material probatório.
A intervenção policial abrangeu uma área geográfica que vai desde Bragança a Setúbal, com especial incidência na zona Norte, implicando centena e meia de investigadores e a permanente disponibilidade funcional das autoridades judiciárias envolvidas."
in Público, 20/Abril/2004
O desporto em Portugal, os resultados fabricados, os sempre polémicos árbitros! Eis que estalou o verniz. O povo já dizia há muito, a alto e bom som, em todos os estádios: "Ladrões!", mas ninguém queria acreditar. Parece que a PJ decidiu investigar, e vamos lá a ver se é, ou não, verdade.
Imagino que agora muitos gritem: "ai que foi preso!". Eu contraponho com a música do Euro 2004, que tem muita verdade na sua letra: "menos ais! menos ais! menos ais!". O apuramento de factos e responsabilidades são urgentes, e fica um aviso principalmente ao Governo: os caminhos por andam os agentes da justiça hoje em dia são tortuosos ou melhor, como se diz nas aldeias, são caminhos de cabras. É urgente a construção de auto-estradas, ou corre-se o risco de todos os processos fiquem estrangulados num funil ou num caleidoscópio interminável.
Perscrevem sem terem chegado a um veredicto... presos preventivos, sem culpa formada, estabelecimentos prisionais sobrelotados, agressões e desrespeito dos direitos humanos... enfim... um descalabro com raízes no sec. XIX, em muitas das suas regras e dispendiosas práticas.
Abrindo os olhos vemos: isto não funciona. Muda-se! Volta-se à canção: "queremos mais! queremos mais! queremos mais!"
Desde 1974 que a percentagem do PIB para o sistema de Justiça é o mesmo, ou seja, reduzido, e o número de juízes, magistrados do ministério público e funcionários judiciais estável, quando o número de requisições dos seus serviços e de processos entrados não pára de crescer exponencialmente.
Claro que assim, e enquanto esta não for uma aposta forte, é difícil jogar!
Miguel Rodrigues
As loucas noites dos endinheirados. Ecstasy, cocaína, maconha [marijuana], champanhe, sexo grupal e muita arrogância. A reportagem da AOL Brasil acompanhou a Geração $, formada por filhos da alta sociedade paulista.
“A estudante Nicole, de 21 anos, estará daqui a algumas horas desmaiada no quarto 231 do Hospital Alvorada, na zona sul de São Paulo, com a sua calça Gucci suja de vômito e com um cateter na veia por meio do qual ela receberá altas quantidades de glicose para rebater o efeito do excesso de álcool.
Nicole mal irá se lembrar de, no espaço de horas, ter fumado dois cigarros de maconha, tomado um ecstasy na forma de coração e outro na forma das orelhas do Mickey Mouse, bebido uma garrafa inteira de champanhe Möet et Chandon e ter feito sexo com dois garotos que nunca viu na vida.
“Comigo tem que ser assim mesmo. Tudo aos extremos”, diz a garota, filha de um conhecido empresário do ramo têxtil. “Gosto de dar para um monte de caras, de misturar Prozac com champanhe, de cheirar cocaína até meu nariz sangrar. E não me importo com a sua opinião moralista típica da classe média. Tenho dinheiro suficiente para não me preocupar com você ou com mais ninguém. A minha felicidade está na minha conta bancária”, diz ela ao repórter enquanto se prepara para a balada.
Nicole faz parte de uma geração escancaradamente frívola e preconceituosa, formada por filhos de gente muito rica. É a “Geração $”, como eles gostam de se definir. Têm a vida inteira pela frente e nenhuma preocupação com assuntos que assombram outras pessoas, como falta de dinheiro ou necessidade de escolha de uma profissão para ganhar a vida. O que mais querem é curtir a juventude com o que acham que têm direito, incluindo drogas, sexo e uma boa dose de sentimento superioridade. Não há limites para eles. Escravos da estética, preocupam-se apenas com a próxima balada ou com a próxima compra. E a decisão mais importante que precisam tomar é qual dos cartões de crédito usar na hora de pagar a conta.
“Eu sou o tipo de pessoa que os pobres e a classe média odeiam porque posso torrar R$ 5 mil em um vestido para usar apenas uma vez e depois encostá-lo no armário”, diz Nicole ao repórter. “Não consigo ficar assistindo tevê em casa ou trabalhando em algum escritório estúpido na frente de um computador. Estou acima disso tudo. O dinheiro dos meus pais me possibilita curtir a vida sem preocupações e sem falsos moralismos”.
Enquanto fala da vida, Nicole manda o motorista do seu Mercedes preto se apressar. O relógio Armani no pulso, avaliado em R$ 2 mil, avisa que já passa das 23h e todos seus amigos devem estar esperando furiosos na frente da Disco – conhecida como a balada mais cara e restrita de São Paulo, no bairro de Vila Olímpia, zona Sul da cidade. É sábado à noite, e a noite de São Paulo nem imagina o que Nicole e seus endinheirados colegas vão aprontar.
“Demorei porque a besta da empregada esqueceu de passar a minha calça Gucci”, brinca a garota com os amigos ao descer do carro. “Definitivamente não dá para confiar em pessoas de cabelo pixaim.” Fernanda, filha de um banqueiro que mora no Rio de Janeiro e que mantém apartamento em São Paulo para temporadas, ri escandalosamente da observação da amiga Nicole. Além de compartilhar da visão do mundo, as duas são fisicamente parecidas. Morenas, baixinhas e superproduzidas.
“Empregada é uma droga mesmo”, diz a carioca de 20 anos, vestindo um modelito exclusivo assinado pelo estilista Alexandre Herchcovitch. “Todas são ignorantes. É por isso que elas têm de ganhar salário mínimo. É o valor da suas mediocridades.”
Fernanda está acompanhada de mais três meninas que aparentam ter a mesma idade) e dois garotos já mais velhos, de mais ou menos 25 anos. Todos têm pais ilustres – duas são filhas de empresários bem sucedidos, a outra é herdeira de um fazendeiro do interior paulista, o garoto loiro é filho de político.
Apenas um deles é uma incógnita. Seu nome é Carlos, e sua origem nunca foi colocada em discussão pelos colegas. “Um dia apareceu do nada em uma balada, dirigindo um Porshe Boxter e com muitos ecstasys no bolso. Não precisou explicar de onde vem para ser incluído na turma” explica Nicole.
A fila na frente da Disco quase dobra o quarteirão, mas uma nota R$ 50 na mão do segurança é o suficiente para que Nicole e seus amigos a furem. A entrada custa R$ 70 para homens e R$ 35 para mulheres, mas eles desembolsam mais R$ 100 cada um para ter direito a entrar no camarote. “Somos VIP’s, merecemos tratamento diferenciado”, diz Fernanda, enquanto abre uma garrafa de champanhe Möet et Chandon – a primeira de sete que serão consumidas na noitada, ao custo de R$ 120 cada.
No camarote, fica mais fácil para Carlos disfarçar uma carreira de cocaína que prepara em cima de uma mesinha de madeira. Os amigos brincam que ele tem o nariz nervoso, não consegue ficar um dia sequer longe do pó. Fernanda percebe o gesto e corre para filar um pouco da droga enquanto Nicole, do outro lado do camarote, amassa a roupa cuidadosamente escolhida com um rapaz mais velho que acabara de encontrar. Dias depois, procurada pela reportagem da AOL, a direção da Disco diria que os clientes pegos com drogas ilíticas no interior da casa são colocados para fora.
Depois de duas horas e R$ 890 gastos em bebidas, o grupo decide deixar a balada e procurar algum outro lugar para terminar a noite. Ou melhor, para começá-la de fato. “Vamos para a minha casa, hoje não tem ninguém lá”, sugere Fernanda. “Podemos comprar umas bebidas, ligar para uns amigos e fazer a festa lá mesmo. Com quantas pessoas será que eu vou transar hoje?”
A idéia de Fernanda até que foi comportada para os seus padrões. Da última vez que convidou os amigos para ir até a sua casa no Jardim Lusitânia - uma mansão na zona Sul de São Paulo com três salas, sete quartos e duas cozinhas –, ela pagou três prostitutas e dois garotos de programa para animar a reunião. De outra vez, fez uma vaquinha e comprou 100 gramas de cocaína. Tudo foi consumido na mesma noite. Os amigos da garota contam que ela, numa das baladas que deu, fez sexo com três amigos de infância na piscina, ao mesmo tempo, enquanto os vizinhos viam e ouviam tudo.
São quase três horas da madrugada e as Pajeros, Mercedes e BMW’s começam a se enfileirar na porta do número 482. Todos da turma são muito parecidos - os garotos vestem camisa de algum estilista famoso e caro, Herchcovitch, Sommer ou Haten, e calça jeans igualmente exclusiva, mas que pareça estar bem suja.
Já as meninas só usam preto, sempre de marca estrangeira, e não desgrudam de suas bolsas Louis Vuitton abarrotadas de ecstasys, maconha e, eventualmente, camisinhas.
A festinha particular começa a esquentar com uísque 12 anos misturado com energéticos. Fumaça de charuto e música eletrônica tomam conta do ambiente.
Para deixar as meninas mais “soltinhas”, os garotos preparam um drink especial com vodca, suco em pó light e comprimidos de ecstasy picados em pedacinhos microscópicos. Quando elas se derem conta, já estarão dançando coladinhas sem as blusas e dando beijos calientes umas nas outras para delírio dos caras.
Para a maioria delas, não faz a menor diferença saber se tomaram drogas misturadas à bebida porque a intenção é ficar doidas mesmo. “Essas garotas aí estão loucas para dar”, aponta Thomás, herdeiro de um médico famoso e amigo de longa data de Fernanda. “A única coisa que elas têm para fazer na vida é gastar o dinheiro da família. As mais novas, aliás, são as mais danadas. Eu, por exemplo, transei com muita menininha filha de ‘sei-lá-quem’ dentro do meu Civic ou em banheiros de baladas. Já ‘tracei’ muitas Lolitas Pilles por aí.
Thomás se refere à escritora francesa de 19 anos, que chocou o mundo ao descrever tudo o que se passa no mundinho milionário de Paris no seu livro de estréia, Hell. A tradução em português chegou às livrarias do Brasil no final de 2003 e vem ocupando lugar de destaque nas prateleiras das livrarias.
Nascida em berço de ouro e patricinha assumida, Lolita Pille passou boa parte de sua vida torrando o dinheiro dos pais nas lojas mais caras da capital francesa, desrespeitando regras de trânsito, enchendo a cara em hotéis de luxo e dançando até de manhã nas boates da moda.
Quando se cansou da farra, a garota escreveu 224 páginas denunciando a sua geração da forma mais crua possível. A galera endinheirada de Paris não perdoou.
Lolita Pille passou a ser barrada nas baladas VIP’s. "A 200 km/h pelas ruas de Paris, onde não é bom caminhar quando estamos no volante, misturamos álcool com cocaína e cocaína com ecstasy", escreve. "Eu sou um produto da Think Pink Generation. Minha crença: seja bela e consuma. Sou a musa do deus 'Aparência', sob o altar do qual eu queimo alegremente todo mês o equivalente ao seu salário".
Os relatos de Lolita poderiam muito bem ter sido escritos pela paulistana Nicole, pela amiga Fernanda, ou por qualquer uma das meninas que d