
Jevgeni Kornejeff
Leningradin piiritys - 1995
A recusa dos habitantes de Leningrado (actual São Petersburgo), em se renderem às tropas invasoras nazis, levou a que se estabelecesse em 8 de Setembro de 1941 o maior cerco da II Guerra Mundial. Perto de 800.000 pessoas morreram de fome, frio, ferimentos e doenças.
Esta heróica resistência de 900 dias, a que os russos deram o nome de Blokada, terminou a 27 de Janeiro de 1944 com a contra-ofensiva soviética.
Miguel Rodrigues
As boas notícias: os países membros da CPLP caminham cada vez mais juntos, adoptando a Declaração de Fortaleza, a Rússia declara que eliminou os bandos de terroristas da Chechénia, FC Porto ganha de forma brilhante a Taça da Liga dos Campeões e inicia o Rock in Rio em Lisboa.
EUA utiliza Urânio Empobrecido no Iraque
O nível de radiação em Bagdade é considerado perigoso para a vida humana.
Várias regiões de Bagdade estão contaminadas com urânio empobrecido, utilizado pelas forças armadas dos Estados Unidos da América, contra a Convenção de Genebra.
A Organização International Action Center (IAC) nos EUA emitiu um relatório na semana passada que afirma “durante a guerra no Iraque, os Estados Unidos aumentaram a quantia de urânio empobrecido das 375 toneladas em 1991 a 2.200 toneladas, utilizadas em 2004”.
No mesmo relatório, a IAC diz que “Leituras dos contadores de radiação Geiger mostram que o nível de radiação estão acima da norma por entre mil e duas mil vezes em vários pontos no centro de Bagdade”.
A IAC afirma ainda que cerca de metade dos 697.000 veteranos da Operação Desert Storm (1991) e seus filhos foram diagnosticados com graves problemas de saúde devido ao terem sido expostos directamente ao urânio empobrecido.
É mais um crime de guerra perpetrado pelo regime de Washington.
Darfur, pobre demais para ser lembrado
Três milhões de pessoas internamente deslocadas, centenas de milhares de pessoas refugiadas nos países vizinhos, actos de chacina, de massacre, de pessoas cortadas aos bocados com machados por serem negros e não árabes pelos milícia Janjaweed (que só depois de muita pressão pela comunidade internacional o governo de Curtume, liderado pelo Presidente sudanês Hassan Al-Bashir, decidiu desarmar).
A ONU classifica o que tem acontecido em Darfur como “a pior crise humanitária”. Não exagera. Aldeias destruídas, saqueadas, queimadas, estupro, falta de água, falta de comida, colheitas destruídas, sementeiras por fazer a poucos dias das chuvas, assassínio, crianças órfãos, crianças sem saberem onde estão os pais e agora, Ebola. Pode ficar pior?
O cessar-fogo assinado esta semana entre o governo sudanês e o Presidente do E/MLPS (Exército/Movimento de Liberação do Povo do Sudão) John Garang termina duas décadas de violência étnica entre os árabes (maioria étnica, no norte do país) e os negros no sul, onde há petróleo. Os primeiros lutam para o domínio integral do território, os últimos pela protecção da sua cultura e mais representação no governo em Cartum. Porém o cessar-fogo não se estenda a Darfur.
Onde está esta história? Varrida por baixo da tapete, como sempre, esperando que ninguém a vê e que seja esquecida. A ONU precisa de 8,8 milhões de USD para os programas de alimentação, que são fundamentais para evitar que a catástrofe seja pior ainda, visto que já é tarde demais para as sementeiras e a dependência alimentar num prazo médio já é uma certeza, não uma probabilidade. Só que a ONU somente consegue angariar 3 milhões…isso enquanto George Bush e seu clique de elitistas neo-conservadores gastam 200.000.000.000 (duzentos mil milhões) de USD no seu acto de chacina no Iraque.
Poderemos todos reflectir um pouco este Domingo sobre o tipo de mundo que criamos? Talvez assim poderemos chegar a uma conclusão sobre aquilo que está errado e tomarmos as medidas correspondentes.
Educação: CPLP aprova Declaração de Fortaleza
Os Ministros da Educação dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa aceitaram o diploma chamado Declaração de Fortaleza, sobre o ensino superior.
O documento, proposto por Portugal, estabelece o ensino superior como prioridade e objectivo nos países membros, nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-leste.
Haverá uma maior inter-ligação da rede de universidades nestes países (Associação das Universidades de Língua Portuguesa), para reforçar os laços de cooperação.
Portugal apresenta-se como porta de entrada da União Europeia para os outros países membros da CPLP no que diz respeito à angariação de fundos para o financiamento dos programas de educação superior.
A Declaração de Fortaleza não esquece também a área de formação técnico, cobrindo os cursos médios, nomeadamente os cursos técnico-profissionais, que fazem falta em todos os países membros.
A CPLP caminha cada vez mais junto, na senda duma co-existência baseada em igualdade, colaboração, amor pelo próximo. Que bonito.
Rússia anuncia “exterminação de terroristas”
A Federação Russa anunciou ontem que uma operação especial no sul da República da Chechénia conseguiu expulsar ou liquidar os elementos terroristas que têm estado a desestabilizar a região, enquanto sob o disfarce de “guerrilheiros pela liberdade” implantaram suas redes habituais de tráfico de armas, de drogas e de seres humanos.
A ver por quanto tempo a situação dura, com os Estados Unidos da América tão bem implantados no vizinho Geórgia, que tem sido suspeito de dar abrigo aos bandos de terroristas na Vale de Pankissi.
Fantástico FC Porto vence Liga dos Campeões
Campeão dos Campeões, Futebol Clube do Porto fez um sinal bem claro a aqueles que disseram que com a remodelação da Liga das Campeões, seria impossível repetir a proeza de 1987. Mas repetiu, mostrando que com bom trabalho, com uma mistura de gentes sem preconceitos se pode formar uma equipa de sucesso.
Portugueses, brasileiros, um sul-africano e um russo, europeus, sul-americanos e africanos, todos juntos, todos iguais. É assim que se caminha em frente, não com restrições e imposições e vistos e expulsões e racismo e xenofobia.
Parabéns ao FC Porto, por vencer a competição de forma tão clara, parabéns ao finalista vencido, AS Mónaco FC, que não mereceu perder por 3-0 (mas a bola é redonda, como se costuma dizer), parabéns ao José Mourinho (que na Inglaterra vai ter todas as condições financeiras que não teve em Portugal mas que vai conhecer todas as exigências também), parabéns aos jogadores e parabéns ao Presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, que desde 1982 tem dado muita alegria a muitas pessoas, na forma brilhante como ele dirige o clube.
Rock in Rio em Lisboa
Nome estranho, mas um grande evento. Rock in Rio começou na sexta-feira com o concerto de Paul McCartney e vai continuar durante seis dias.
Rock in Rio em Lisboa não é um evento qualquer. É um evento em que participarão, além de Paul McCartney, Britney Spears, Sting, Metallica, Peter Gabriel, Evanescence, Bem Harper and The Innocent Criminals, Alejandro Sanz, Mariza, Rui Veloso, Xutos & Pontapés, At-Tambur, Luís Represas, Alicia Keys entre muitos outros, durante seis dias de festa e boa disposição.
600.000 bilhetes vendidos. Grande sucesso.
Devemos mencionar os nomes que tornaram possível este Acontecimento em Lisboa, que merece letra grande pela importância cultural do evento. Roberto Medina, director e fundador do Rock in Rio no Brasil, Roberta Medina, sua filha, directora do evento em Lisboa, Pedro Santana Lopes, Presidente da Câmara de Lisboa, que acolheu o projecto pelo impacto que faria em termos de turismo. Pedro Pinto, o empresário português que foi ao Rio com o intuito de trazer o projecto para o outro lado do Atlântico.
A meta do Rock in Rio é a promoção dum mundo melhor, um mundo em festa. Os artistas que vieram para Lisboa, não vieram por acaso…são os favoritos dos portugueses, e foram escolhidos só depois de muita pesquisa por organismos experientes na recolha de dados sobre a opinião pública.
Lisboa e Portugal se colocam no roteiro da cultura, impulsionados pelo irmão brasileiro…agora é preciso continuar neste caminho - juntos e não zangados.
Timothy Bancroft-Hinchey
O Festival Internacional de Filmes de Animação de Annecy é uma referência para os profissionais e fãs do mundo animado.
O ANNECY 2004 abre as suas portas de 7 a 12 de Junho, cerca de quarenta anos depois de ter nascido. Desta vez, com mais de 200 filmes dentro das cinco categorias.
Um dos convidados de honra é a Coreia do Sul, com 3 longas-metragens e várias curtas-metragens. Outro é Ray Harryhausen, criador de figuras lendárias da animação que marcaram, entre outros, Tim Burton e Terry Gilliam.
Até 11 de Junho, pode-se ver e votar on-line para a categoria de Short Films for Internet.
Também perto de entrar em cena estão os Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia de Avanca – AVANCA’04. Decorrerão de 21 a 25 de julho.
Este ano conta com a participação de 864 filmes, dentro dos quais 100 são portugueses. Estes números são impressionantes se tivermos em conta que todas as obras apresentadas são obrigatoriamente inéditas.
O Cine-clube de Avanca e a Câmara Municipal de Estarreja têm feito grande esforço para manter este festival desde 1997 e torná-lo cada vez mais internacional. Pelo menos pelo esforço, merecem a nossa atenção.
Madalena Santos
«Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: « É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: “ Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação”. A Bíblia refere assim a questão. Ponto final », afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
« Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas.
Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço?
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do Êxodo, capítulo 25, versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora?
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda. »
(Traduzido por mim do francês agorinha mesmo, aqui mesmo, de sorriso meeeeesmo grande colado à boca e vestindo-me o rosto! Eh, pá, o que eu gosto deste ouvinte dos EUA!)
Estava eu muito descansado numa busca sobre uns tópicos de História portuguesa quando dou de caras com um sítio que é, no mínimo, asqueroso, revoltante e de uma nojice sem limites.
Denominado Portugal Nacional Socialista (PND), difunde ideias racistas, xenófobas, homófobas, e de ideologia vincadamente nazi, patentes em texto, imagem e som por todo o site.
Apoiando-se na legitimação da raça branca como superior, instiga os leitores à descriminação social e racial através de frases como «lutar pelo futuro das crianças brancas».
Não posso deixar de pensar que, apesar da liberdade de expressão que nos rege, até que ponto se poderá deixar impune esta difusão de ideias totalmente erradas ao alcance de todos, crianças inclusive?
Por motivos óbvios não vou colocar aqui um link para esse sítio hediondo e absolutamente grotesco, mas questiono-me uma outra vez, e numa altura em que se luta contra a pedofilia (incluindo na internet), se é legítimo permitir o livre acesso a estes sites contendo um tão forte incitamento ao ódio!
Miguel Rodrigues
«O PS recupera este mês a sua vantagem sobre o PSD nas intenções de voto do Barómetro de Maio da Marktest para o DN e a TSF. As surpresas do mês, porém, são protagonizadas pelo CDS e Bloco de Esquerda. Os democratas-cristãos de Paulo Portas, parceiros dos sociais-democratas na coligação governamental, registam o seu pior resultado de sempre neste Barómetro (1,5%) e são agora a quinta força política. Os bloquistas conseguiram ultrapassar o PCP, e estão em terceiro lugar, acima dos 8%.
Pelo sexto mês consecutivo à frente do PSD, os socialistas têm agora 43,5% na projecção de voto, valor idêntico ao obtido no Barómetro de Março, e no limiar da maioria absoluta. Com uma subida mínima, os sociais-democratas estabilizam, perto dos 37%. Com o Bloco a terceira força política, o PCP perde dois pontos e tem este mês 5,2%.
Fazendo contas, PSD e CDS continuam longe da maioria: juntos têm 38,4%, muito longe dos 48% obtidos nas legislativas de 17 de Março de 2002. Este fraco resultado explica-se pela descida do partido de Paulo Portas que está em queda desde Novembro do ano passado e tem agora o seu pior resultado de sempre - menos de dois por cento. (...)»
in Diário de Notícias, 28/Maio/2004

Concerteza a comemorar o 28 de Maio de 1926 a 24 de Abril de 1974.
O golpe de 28 de Maio de 1926 pôs fim à primeira república portuguesa: dissolveu as instituições democráticas, extinguiu os partidos políticos e instaurou uma ditadura militar. Se o movimento congregava de início diversas facções ideológicas (desde republicanos conservadores a monárquicos e fascistas), depressa a figura do ministro das finanças nomeado em 1928, António de Oliveira Salazar (1889-1970), se veio definir como a principal referência política do novo regime totalitário, inspirado-se nas teorias fascistas de Mussolini e nazis de Hitler, bem como na criação em Agosto de 1933, da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P.V.D.E.), mais tarde PIDE e DGS.
Miguel Rodrigues
«O PSD não tem nada a dizer ao país. Prisioneiro do poder, tornou-se servo da unicidade de pensamento e, pior, escravo do status quo.»
Áurea Sampaio, in Visão, 27/05/2004
«É para lhes dar conta de um fenómeno curioso: recebemos felicitações das torres de controlo da Alemanha, de Maastrich, na Holanda, mas já estamos a sobrevoar o espaço aéreo francês há dez minutos e, curiosamente, ainda ninguém nos deu os parabéns. Por que será?»
José Guedes, comandante do avião (dos) Champions, in Público, 28/Maio/2004
«A Declaração de Guadalajara, a aprovar durante a cimeira, incluirá uma condenação às torturas nas prisões do Iraque, indicaram fontes oficiais mexicanas. No entanto, a forma final do parágrafo já foi alvo de intensa reflexão nas reuniões prévias e não deverá condenar os Estados Unidos pelos actos.
Segundo o «El Mundo», a forma final do texto a incluir na Declaração de Guadalajara é «condenamos energicamente todas as formas de abuso, tortura e outros tratos cruéis, desumanos e degradantes contra as pessoas, incluindo prisioneiros de guerra, em qualquer lugar que ocorra».
in TSF online, 28/Maio/2004
«SYDNEY: One of Australia's highest-profile gay couples described John Howard as a dinosaur and likened his vision of Australia to apartheid-era South Africa or Adolf Hitler's Germany.
Former Australian Medical Association president Kerryn Phelps also accused the Prime Minister of playing "wedge politics" by legislating to stop gays from marrying or adopting children from overseas. (...)
"If you keep trying to marginalise and discriminate against one group, it's a real worry living in a country that does that." »
in Tamworth, 28/Maio/2004
«Calling the approval of same-sex marriage in Massachusetts "the straw that broke the camel's back," a group of Christian activists is in the beginning stages of an effort to have one state secede from the United States to become its own sovereign nation.
"Our Christian republic has declined into a pagan democracy," says Cory Burnell, president of ChristianExodus.org, a non-profit corporation based in Tyler, Texas. "There are some issues people just can't take anymore, and [same-sex marriage] might finally wake up the complacent Christians.»
in World Net Daily, 28/Maio/2004
«Levo o império Atkins ante a Justiça porque quero que o público saiba que o regime [dietético] Atkins pode matar pessoas. Este regime quase me matou, ao me causar uma doença cardíaca. »
Jody Gorran, in Folha Online, 27/Maio/2004
«A ministra de Estado e das Finanças, principal responsável pelo combate à evasão fiscal, esqueceu-se de declarar ao fisco cerca de 15 mil euros em mais-valias na declaração de rendimentos de 2002, tendo corrigido a falha no ano passado. (...)
«Foi um descuido em que caímos (...) por um misto de desatenção e de desconhecimento», disse o advogado, justificando a rectificação fora do prazo das declarações dos quatro irmãos. »
in Portugal Diário, 20/Maio/2004
MR
Antes de 74, falava-se muito dos três Fs que alienavam a população: Fátima, Fado e Futebol. Armas brilhantemente usadas para distrair a nação e tapar os olhos do povo. Hoje, Fátima e o Fado são só para alguns, mas o Futebol ainda nos aliena.
Ontem festejei a vitória do FCP como fiz para muito poucas coisas na vida. Fui para o centro da cidade celebrar. Ouvi incessantemente a música do Deco. Desejei a morte de alguns jogadores do Mónaco. Arranjei mil desculpas para a arrogância do Mourinho. Pensei que era a maior e o mundo era meu.
Nunca me senti tão inatingível, tão invencível como ontem. Nunca fui tão arrogante e pretensiosa.
Madalena Santos
"A guerra liderada pelos Estados Unidos ao que o país classifica como terrorismo está deixando um rastro de abusos aos direitos humanos em todo o mundo, afirma um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Amnistia Internacional.
Na avaliação da organização, a ofensiva americana foi "uma visão fracassada" e "fez do mundo um lugar mais perigoso". A Amnistia afirma que os acontecimentos ocorrido após 11 de setembro de 2001 ainda dominam a atual situação dos direitos humanos. A organização também criticou outros países pela forma com que tratam suspeitos de terrorismo."
in BBC Brasil, 26/Maio/2004
"Os Estados Unidos não foram o único país do mundo a utilizar o argumento da luta antiterrorista para práticas que atropelam direitos humanos. Reino Unido e Rússia recorreram às mesmas práticas, diz a Amnistia Internacional (AI). Nas suas referências à Grã-Bretanha, o relatório dá muito relevo às 500 pessoas detidas no país por «ligações ao terrorismo», das quais poucas acabaram condenadas.
A AI está igualmente preocupada com os 14 suspeitos que se encontram em prisões de alta segurança e que, por serem estrangeiros, podem manter-se indefinidamente sob prisão sem serem acusados de um crime. Escapando à lógica deste conflito, há numerosos problemas em todo o mundo, referenciados pela AI, o mais grave dos quais será porventura o de Darfur, no Sudão. Segundo a organização de direitos humanos, a crise no Darfur já causou centenas de vítimas, na sua maioria civis, e 600 mil deslocados. Além deste conflito, têm sido registados incidentes entre rebeldes e forças governamentais sudanesas, no Sul do país, apesar da hipótese de um cessar-fogo entre as duas partes.
O relatório da Amnistia faz também duras críticas à pena de morte, prática frequente em países asiáticos. Só no Paquistão há 5700 condenados à espera de execução. Em 2003, o Vietname condenou 103 pessoas, das quais 64 foram executadas. Singapura, que tem a mais elevada taxa mundial de penas capitais por cem mil habitantes, executou mais de 400 pessoas desde 1991. A China condenou 1600 prisioneiros e executou mais de 700, mas a Amnistia afirma que os números podem ser bem mais graves."
in Diário de Notícias, 27/Maio/2004

Golpes e invasões com intervenção dos EUA
1953, Irão - Golpe de Estado derruba o presidente eleito Mohamed Mossadegh, que tinha anunciado a intenção de nacionalizar os interesses petrolíferos ocidentais.
1954, Guatemala - Golpe de Estado derruba o presidente eleito Jacobo Arbenz, que tinha anunciado a intenção de nacionalizar a United Fruit Company, de Rockefeller e do chefe da CIA, Allen Dulles.
1954, Vietname - O incremento do apoio à ditadura de Ngo Dinh Diem conduz paulatinamente à intervenção militar aberta dos EUA.
1957, Laos - Dá-se o primeiro de sucessivos golpes de Estado para anular o resultado das eleições em que o partido de esquerda Pathet Lao obtivera uma forte votação.
1959, Haiti - Golpe de Estado instaura a ditadura de "Papa Doc" Duvalier e dos seus "Tonton-Macoutes".
1961, Cuba - Fracassa a tentativa de desembarque na Baía dos Porcos.
1961, Ecuador - Pronunciamento militar obriga à demissão do presidente José Velasco.
1961, Zaire - Golpe de Estado conduz ao assassínio do presidente Patrice Lumumba.
1963, República Dominicana - Golpe de Estado derruba o presidente eleito Juan Bosch e instala no poder uma junta militar de direita.
1963, Ecuador - Novo golpe de Estado derruba o presidente Arosemana e coloca no poder um junta militar.
1964, Brasil - Golpe de Estado derruba o presidente eleito João Goulart e coloca no poder o general Castelo Branco.
1965, Indonésia - Golpe de Estado derruba o presidente eleito Sukarno e coloca no poder o general Suharto.
1965, República Dominicana - Invasão de "marines" norte-americanos esmaga a revolta que visava repôr no poder o presidente Juan Bosch.
1965, Zaire - Golpe de Estado coloca Mobutu no poder.
1967, Grécia - Golpe de Estado antecipa-se às eleições para impedir a vitória do ex-primeiro-ministro George Papandreus.
1970, Cambodja - Golpe de Estado derruba o príncipe Sihanuk e coloca no poder o pró-americano Lon Nol.
1971, Bolívia - Golpe de Estado substitui o presidente Juan Torres pelo general Hugo Banzer.
1973, Chile - Golpe de Estado derruba o presidente eleito Salvador Allende e coloca no poder o general Augusto Pinochet.
1980, Irão - Invasão pelo Iraque de Saddam Hussein, apoiado pelos Estados Unidos.
1989, Panamá - Invasão norte-americana conduz à ocupação do país e à captura do general Manuel Noriega, levado para julgamento dos Estados Unidos.
in RTP, 18/11/2002

Os rapazes do Mourinho merecem o justo reconhecimento pela sua vitória 3 - 0 contra o Mónaco. São bi-campeões europeus e trouxeram para Portugal a Taça. Carlos Alberto, Deco e Alenitchev foram os marcadores, mas a vitória foi conquistada por um conjunto sólido.
Os parabéns são extensíveis, especialmente, à menina azul do blogue, a Madalena, que hoje deve estar rouca com tanta festa.
Miguel Rodrigues (um sportinguista que concorda com isto)
PS - Adorava ter visto a cara de palhaço do Camacho no final do jogo (e depois de ter apostado na vitória da equipa de Morientes)
Um bom exemplo de Jornalismo de Estado é o caso de Larry Rohter, que se inflige sobre várias vítimas, escrevendo estórias tipo porcaria, fazendo na mesma altura o trabalho mais sujo dos serviços de inteligência dos EUA, sem se preocupar acerca de quem ou o quê ele lesa. O exemplo mais recente foi o artigo que atacou Presidente Lula do Brasil, a quem acusou de ser um alcoólico e que levou à expulsão deste jornalista (j pequeno) por Brasilia. Bem feito.
O artigo (Bebedeiras do Líder se Tornam Preocupação Nacional/Brazilian Leader’s Tippling Becomes National Concern) apareceu no New York Times no dia 9 de Maio deste ano, e afirmou de forma clara que Presidente Lula é um bêbado, fabricação baseada na palavra dum único político da oposição, que anda a dizer a mesma coisa há anos.
A história que chegou à página principal de muitos jornais a volta do mundo foi a expulsão, não a calúnia de Rohter. Contudo, investigações sobre a história deste...jornalista(?)...contam um conto longo e sinistro de interferência nos assuntos internos das nações da América Latina a mando do Departamento de Estado. Suas historias são evidência dos interesses de Washington naquilo que considera seu quintal, e frequentemente antecedem a intervenção directa dos EUA.
Seguindo obedientemente as directivas do Arquivo 33 do Gabinete de Programas Internacionais de Informação do Departamento de Estado dos EUA, que controla a política de Jornalismo de Estado nesse país, o Rottweiler Rohter meteu o foçinho em várias áreas do Brasil e da América Latina, entre as quais, Amazónia.
Os brasileiros há muito tempo suspeitam os interesses de Washington sobre esta região riquíssima em recursos naturais e minerais. Em Junho de 2002, Rohter escreveu um artigo (Nas Profundezas do Brasil, Uma Fantasia Paranóica/Deep in Brazil, a Flight of Paranoid Fantasy) em que fez a afirmação: “Os brasileiros são ensinados desde que nascem que Amazónia lhes pertence mas seu governo se tem mostrado incapaz de exercer uma soberania efectiva sobre a região”.
Depois de afirmações como este, os brasileiros com certeza estarão com paranóia, e quem é que os pode culpar? O quê é que o Rohter está a fazer? Preparar a opinião pública para uma invasão aberta tipo Iraque, ou uma invasão coberta, oriunda da Colômbia, cujas forças armadas são treinadas, equipadas e pagas por Washington, que simultâneamente controla os paramilitares fascistas nesse país?
A influência de Rohter no Brasil não acaba aquí, nem com a história sobre o Lula. Noutro artigo, ele diz que a carne brasileira, famosa através do mundo por ser de excelente qualidade e um concorrente forte para os Estados Unidos, é produzido utilizando a escravatura. Disparate, mas suficiente para atingir negativamente o mercado da exportação de carne. Estas mentiras, porém, não chegam à imprensa internacional.
No país vizinho, Venezuela, Rohter escreveu uma série de artigos criticando Presidente Chavez, criando as condições para a instabilidade que levou à tentativa de golpe de estado. Na Colômbia, Rohter justificou a intervenção dos EUA e seu Plano Colômbia. Na Guatemala, seus artigos tentaram ridicularizar a vencedora do Prémio Nobel de Paz, Rigoberta Menchu.
As escritas de Rohter reflectem o desdém, a falta de respeito e o desprezo sentido nos corredores de poder em Washington para com as nações latino-americanas, reflectem a abordagem intrusiva relativamente às relações internacionais e à gestão de crises tão aparente na história recente dos EUA.
O facto que Rohter começa a questionar a capacidade do Brasil de gerir seus próprios recursos, tal como anteriores artigos questionaram a capacidade de outras nações a gerirem as situações internas, pouco tempo antes duma intervenção directa por Washington, é interessante, senão sinistro e muito preocupante.
Outras joias na coroa deste fala-barato incluem:
“Quotas Raciais no Brasil Provocam Debate Aceso” (Racial Quotas in Brazil Touch Off Fierce Debate);
“Seguindo a Venda dum Rim num Caminho de Pobreza e Esperança”( Tracking the Sale of a Kidney on a Path of Poverty and Hope);
“Esforços para Atingir Progresso Social Fracassam com Escândalo Político” (Brazilian Efforts at Progress Are Mired in Political Scandal);
“Muito Tempo depois da Guerra de Guerilha, os Sobrevivents Exigem Justiça do Governo do Brasil"”(Long After Guerrilla War, Survivors Demand Justice From Brazil's Government);
“Numa Espelunca de Favelas em Estacas, a Ajuda nem Sempre Ajuda” (In a Slum of Shanties on Stilts, Help Isn't Always Helpful)
e outros títulos ainda mais incisivos, tais como:
“Finalmente, Latino-Americanos pedem que os EUA entrem em acção” (For Once, Latin Americans Ask the U.S. to Butt In)
e
“Chile, o Miúdo Rico do Quarteirão” (Chile, the Rich Kid on the Block)
que inicia com o lead: “Começa a sentir-se solitário. Hoje, Chile é um estado hipercapitalista numa altura quando Brasil, Argentina, Venezuela, Equador e Uruguai estão todos a caminhar para a esquerda e estão a questionar o comércio livre e mercados abertos”.
Larry Rohter poderá acreditar naquilo que escreve, Washington poderá acreditar naquilo que escreve mas por outros lados, ele é considerado aquilo que é, nomeadamente um intruso, sem talentos, arrogante, insolente, mentiroso, fala-barato, um não Jornalista mas sim um excelente exemplo do jornalismo de Estado (com j pequeno) do Departamento de Estado, que prepara o caminho para uma demonstração já habitual do Terrorismo de Estado por Washington, quem é que havia de ser?
Larry Rohter deveria ser escurraçado de todos os países em que ele entra. Como sempre, Brasil teve a coragem de lutar pela justiça e zelar pela razão. Amazónia é brasileira e ponto final!
Timothy Bancroft-Hinchey
Querem os senhores deputados da maioria, equiparar ao estatuto de “hooligans” todos aqueles que nas galerias da Assembleia da Répulica protestem ou se manifestem mesmo que justamente e de forma pacifica.
É certo que apesar de muitas vezes merecerem os apupos e as manifestações, na realidade há que respeitar o trabalho dos Srs.Deputados e não é correcto perturbá-los no exercício das suas funções, valorizando e dignificando o simbolo democrático que é a Assembleia da Républica.
Mas o exemplo deve vir de quem nela exerce funções e muitas vezes vemos também os Srs. Deputados a boicotarem o trabalho dos seus pares e nem por isso os consideramos mais ou menos vândalos. Por isso, e como a Assembleia da Républica até nem é alvo de grandes manifestações populares e de expressão democrática como se poderia desejar, peço que se dediquem a projectos realmente importantes, que valorizem Portugal e ajudem ao desenvolvimento real do país.
Frederico Silva
Grandes ideias existem para a paz mundial, ideias realmente ambiciosas e de grande mérito...
No Iraque a solução encontrada para fazer algo por todos os que foram torturados e mal tratados no seu próprio país, não é um projecto de distribuição de alimentos ou de meios de trabalho para a população ou de meios médicos que muita falta fazem á população, ou ainda alguma justiça para separar a população presa injustamente dos que realmente são culpados; não, a solução é apenas destruir a velha prisão de Abu-Ghraib e substituí-la por uma nova de segurança máxima. Por aqui se vê na realidade o esforço enorme que se faz para resolver os problemas dos iraquianos.
No médio-oriente, no conflito Israelo-Árabe, além do já famoso muro que nos faz regredir a NÓS, Humanidade, pelo menos, à época em que outros muros se levantaram; Israel teve a peregrina ideia de fazer uma grande fossa á volta de Rafah, para combater o tráfico de armas que utiliza os tuneis subterrâneos de ligação com o Egipto.
Enquanto as principais ideias dos responsáveis políticos forem fazer muros, fossas, prisões novas a substituir as velhas e a tratarem os seus cidadãos e os outros sempre com a máxima suspeita e despeito, quem ganha são aqueles a quem, sem darmos conta, imitamos cada vez mais as atitudes e actos e que deveríamos combater com outras acções.
Frederico Silva
A culpa do estado da economia (pelos vistos para todo o sempre) é do governo anterior.
A culpa da criminalidade e das greves no seio das forças de segurança é do PCP.
Governo quer equiparar manifestantes nas galerias do Parlamento a hooligans.
Não se pode usar a palavra «cobarde» na Assembleia, por recomendação do seu Presidente.
Remodelação governamental é trocar um ministro. E ainda por cima dizer que fez um óptimo trabalho, e a sua substituição não significa um juízo negativo sobre o dito nem uma alteração das políticas.
Nos Açores não há liberdade de expressão, ao contrário do que acontece na terra do «grande patriota» Alberto João Jardim.
Este por sua vez diz que se poderá apresentar na corrida a Belém contra Cavaco Silva.
Sou eu que estou a dar em louco, ou isto está tudo a ficar muito estranho?
Miguel Rodrigues
Hoje em dia lê-se na blogosfera que quase tudo é possível às democracias, porque depois se investiga, ou mais tarde acabam por se encontrar uns culpados.
As atrocidades cometidas pelos soldados americanos?
- Não há problema! Investiga-se, culpa-se e já está. Ora vejam a célere justiça democrática em acção!
Perdoem-me, mas é impressão minha ou a Evolução justificada pela Democracia não devia envergonhar-se e evitar a todo o custo a existência destas anormalidades? Não existe arrependimento para a falta de dignidade humana nem para a condição humana degradante?
A Democracia de hoje em dia escuda-se em guerras preventivas, alimentadas por bandas desenhadas que os "grandes" líderes leram quando eram crianças. Agora mais do que sonhar acordados, podem actuar. Infelizmente (e dramaticamente) fazem-no de olhos e ouvidos tapados.
Miguel Rodrigues
Foi-me dada a honra de escrever o post nº100. Uma espécie de presente de Boas vindas! “O post 100 é teu, caso não saibas” disseram-me.
Para festejar o número, temos o desfibrilhador com nova apresentação. O blogue renovou-se. Passou por uma pequena cirurgia estética. Uns retoques aqui, outros ali. Todos pelo bisturi do Miguel.
Como prenda pedem-se palpites, comentários, duas ou três palavras. Mandem mails. Resmunguem. Digam se está lindo ou se a visualização está má. Neste caso, o feedback é sempre positivo e estes três senhores merecem-no!
Quanto a mim, será um prazer aparecer por aqui.
Madalena Santos
O mau da fita foi-se embora, seus filhos também, o regime foi derrotado, o povo iraquiano está livre, bem vindos à liberdade e democracia, estilo Washington. Os EUA sai do Iraque, que tem uma democracia moderna, missão cumprida, os rapazes voltaram a casa. Vamos fazer a festa! Vamos votar em Bush!
Contudo, o mundo real não é assim tão limitado, o mundo real não é um cenário perfeito acerca do qual George Bush terá lido nos seus livros de banda desenhada (é sabido que ele prefere livros com muitos desenhos e fotografias grandes). O mundo real não se baseia na abordagem tipo cowboy de “ou está connosco ou contra nós”.
Por muito que o George Bush deseje imitar John Wayne, nem tem a classe, nem a inteligência, parecendo mais a escória bêbeda do OK Corral.
Mais uma vez, George Bush tenta enganar seu povo, tenta enganar o Mundo. Não tenciona sair do Iraque, tenciona estacionar aí nada menos do que 138.000 tropas numa base permanente, alvos de ataques enquanto ocupam território que não lhes pertence, fonte para justificações para ataques nos Estados Unidos da América contra civis, em retaliação. Em vez de diminuir a ameaça à segurança nacional, Bush aumenta-a exponencialmente.
O Iraque não está pronto para uma entrega de poder porque o acto de chacina chamado a “Guerra” deixou este país sem um Estado, e com o mesmo número de facções que existiam quando Saddam Hussein subiu ao poder. O acto ilegal de chacina também deixou milhares de familias sem entes queridos, muitos destes crianças. Não esquecem, nem nunca esquecerão. O acto ilegal de chacina que escolheu como alvos as infra-estruturas civis (crimes de guerra), que deixou bombas de fragmentação em áreas residenciais (crimes de guerra), que deixou vastas áreas do país com um nivel de radiação perigosamente alto por terem utilizado munições com urânio empobrecido (crimes de guerra), deixou o povo do Iraque, da Nação Árabe e duma fatia substancial da população mundial com um ódio profundo e sentido de Washington e de tudo que é norte-americano.
É este o legado de Bush, é este o legado das suas soluções simplistas para diminuídos mentais, acreditando como ele acredita que o povo dos Estados Unidos é tão estúpido como ele ou tão maldoso como seu regime.
Demolir Abu Ghraib (não é Garib nem Garob, como Bush diz) não justifica o que aconteceu, não limpa a pedra de laje. Os actos sistemáticos de tortura perpetrados aí não por “poucos” mas por muitos norte americanos não podem, nem serão, esquecidos. Que estes actos de tortura e que este acto chocante de chacina de inocentes sejam o legado do regime de Bush.
Que a sua rotunda incapacidade de falar inglês seja uma lembrança constante da sua incompetência para seu posto. Custou aos trabalhadores dos EUA duzentos mil milhões de dólares do seu dinheiro (que terão de pagar, só que nem o sabem ainda), envolveu seu país numa guerra ilegal, fez de norte-americanos criminosos de guerra, é responsável por um acto de assassínio em grande escala, é responsavel pela destruição propositada de infra-estruturas civis com equipamento militar, incluindo casas, é responsavel por dezenas de milhar de mortes e mutilações (mais que 45.000 colectivamente), é responsavel por destruir os futuros de mais que mil crianças, é responsavel por deixar vastas áreas de território com niveis de radiação perigosamente altos.
Ele acha que pode destruir Abu Ghraib e fingir que os Estados Unidos da América, ao sairem do Iraque, nada fizeram (deixando por trás 138.000 tropas) ?
Parece o marido que apanhou uma bebedeira, deu um ponta-pé ao cachorro, caiu da bicicleta, teve uma altercação com um Pretzel, vomitou a cama e no dia seguinte concorda obedientemente com tudo que a mulher lhe diz, com um grande sorriso, tentando fingir que nada aconteceu.
Esse comportamento pode estar bem no Texas ocidental. Mas é inaceitavel por um presidente dos Estados Unidos da América. São horas para uma mudança de regime. George Bush enganou o mundo.
Timothy Bancroft-Hinchey
O realizador americano Michael Moore foi o vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2004, este sábado, com o filme "Fahrenheit 9/11".
Depois da Miramax (que pertence ao grupo Disney), se ter recusado a fazer a distribuição da obra, Moore procura agora um novo associado. O filme, de conteúdo ácido, denuncia a manipulação pública após os atentados do 11 de Setembro e os interesses económicos que os tentáculos da família Bush abrangem.
"Graças a vocês, os Estados Unidos não serão o único país a não ver este filme", ironizou Moore, ao receber a premiação em Cannes. "Há quem queira ocultar a verdade, mas o povo quer a verdade e é preciso tirar a verdade do armário", acrescentou.
Desde "The Silent World" realizado por Jacques Cousteau em 1956 que um documentário não recebia a mais alta distinção de Cannes. O júri, presidido por Quentin Tarantino, premiou ainda o thriller "Old Boy", do realizador sul coreano Park Chan-wook.
Destaques ainda para a apresentação dos novos filmes do sérvio Emir Kusturica, "Life is a Miracle", e do chinês Kar-wai Wong, com "2046".
Miguel Rodrigues
Massacre pelas forças armadas de Israel
Em Rafah se viu o pior do regime de Ariel Sharon. Depois duma semana de violência, perpetrado por Israel, que afirmou que os Palestinianos estavam utilizando túneis para transportar armas (mas nenhum foi encontrado), as forças armadas deste país decidiram utilizar um helicóptero norte-americano para disparar dois mísseis contra uma manifestação de civis, chacinando dez pessoas, incluindo crianças.
Esta barbárie soletraria o fim de qualquer governo em qualquer país civilizado. Em Israel, não. Mísseis contra uma manifestação? Sem mais palavras.
Massacre pelas forças armadas dos EUA
No oeste de Iraque, as forças armadas norte-americanas também atacaram civis com um helicóptero, chacinando 38 pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças, que celebravam um casamento. Como sempre, e tal como Israel, inventou-se uma justificação, esta vez “uma casa utilizada por insurgentes”.
Nem pediram desculpa, nem o Pentágono admitiu o erro, negando que tivesse conhecimento do sucedido. Metralhadoras contra uma festa de casamento? Sem mais palavras.
Chechénia e Kashmir: Islamistas contra o Islão
O Islão é uma religião de paz, como qualquer outra. Os Islamistas são aqueles que levam a religião de Deus para o foro do Diabo, como as seitas mais perigosas em qualquer parte do mundo.
Em Chechénia, doze soldados e policiais foram mortos em dois ataques perpetrados pelos terroristas e bandidos que são financiados por fora, numa tentativa de desestabilizar a Federação Russa.
Chechénia foi sempre, é e sempre será, parte integral da Federação Russa. Esta república não foi invadida pela Rússia, como muitos pensam no ocidente, mas as forças de segurança foram enviadas para auxiliar as forças policiais locais, que se vêem num pesadelo, lutando contra insurgentes oriundos de fora, armados e pagos por forças cinzentas estrangeiras, que nem se sabe bem quem são.
Uma coisa é certa: querem desestabilizar a Federação Russa. Não tem nada a ver com a luta pela liberdade nem tem nada a ver com separatistas. Tem a ver sim com banditismo, acções criminosas e terrorismo e a maioria da população na República da Chechénia, que votou numa eleição livre no ano passado por uma Constituição que define a Chechénia como República autónoma dentro da Federação Russa, desrespeita por completo os elementos destabilizadores.
Em Kashmir, mais uma mina e mais 26 mortos. Outra vez perpetrado por Islamistas. Porém, quem ou o quê está por trás destes? Terá sido os Estados Unidos da América que deu um impulso aos Islamistas quando criaram os Mujaheddin em Afeganistão, para lutar contra o governo de Dr. Najibullah, governo este que foi o mais progressista socialmente que alguma vez teve este país?
É de realçar que os Mujaheddin semearam o caos em Afeganistão, obrigando o governo de Najibullah, que construía escolas, que começava a educar a população, que libertou as mulheres do jugo das leis retrógrados dos Pashtun, a chamar o exército soviético para o proteger. Dez anos mais tarde, os Mujaheddin se tinham transformado nos Talebã e Washington viu o monstro que criou.
Dos Talebã, geridos por Osama bin Laden, os tentáculos do polvo se espalharam por toda a parte. Mais um desastre da política externa de Washington, que simplesmente não consegue ficar entre suas fronteiras.
Abu Ghraib
“Não é assim que fazemos as coisas na América” disse George Bush, que acaba de cair da bicicleta e ficar com um lábio cortado e um olho negro, impedindo-o a ir à sessão de formatura da sua filha. A outra vez, foi um pretzel. Ainda bem que ele se esquivou de ir à tropa, se tantos danos consegue provocar com um pretzel e uma bicicleta, imaginem este homem com um tanque de guerra.
Só que a fantasma de Abu Ghraib vai pairar sobre o regime de Bush por muito tempo, pois estas não foram as acções de uma mão-cheia de gente bêbada ou drogada mas sim foram acções sistémicas e sistemáticas, autorizadas quase com certeza por um elemento com grande influência no Pentágono. Grande influência mesmo.
Esta semana, como a semana passada, se viu a degradação satânica de cada vez mais detidos. O regime de Bush acaba de cometer todos os crimes de que culpou o Saddam Hussein: mentira (afinal quem estava a contar a verdade?), chacina de civis, tortura.
Se Saddam Hussein tinha de ser derrubado por cometer tais actos, então tem de ser derrubado o Bush, porque é igualmente bárbaro ou então pior.
Chega a altura para “mudança de regime”, como disse o Bush, cujas palavras vamos repetir agora… “Esse homem enganou o mundo”.
Timothy Bancroft-Hinchey

São as tropas espanholas a abandonar o Iraque e a casa real espanhola a festejar um casamento amanha. Dois factos que estão como 1ª notícias na ordem do dia. Não gosto desses conceitos de sangue azul e de orientação divina, ficando muito contente por nesta questão Portugal ser diferente.
Quanto à retirada das tropas espanholas do Iraque, espero que o feitiço não se vire contra feiticeiro, porque se inicialmente pode discordar-se da invasão feita pela coligação, hoje está já legitimada e é agora que é preciso mostrar aos EUA que os outros países tambem se preocupam com estas questões e têm uma palavra a dizer, que não nos interessa só o facto de termos um guarda-costas para todo serviço, fechando os olhos aos seus métodos e depois dizer que somos diferentes.
Temos também de sujar as mãos (no sentido de trabalho) e dar corpo ao manifesto ajudando com diferentes “exemplos”, mas só estando lá e mostrando como também se pode fazer é que serve.
Fugir não serve para ninguém, ninguém mesmo... como também o participar por participar.
Frederico Silva
Numa altura em que se comemora o 2º aniversário da independência de Timor-Lorosae, o jovem país enfrenta talvez seu primeiro grande “combate internacional” e logo de caras com uma grande potência como é a Austrália. Pois é, bem vindo ao verdadeiro Sistema Internacional.
A luta pelas riquezas naturais e neste caso o petróleo começou e independentemente das vitórias patrióticas e independentistas conseguidas por Timor-Lorosae ao longo de 25 anos, joga-se agora o verdadeiro futuro da nação para as próximas décadas. Mais importante que andar a discutir quanto mais tempo ficarão as forças da ONU no território, é agora que Timor precisa que não se esqueçam dele, que Portugal - entre outros e com relevância para a ONU - como país irmão deve lutar ao seu lado numa justa aplicação do direito internacional, que permita uma equalitária divisão das fronteiras marítimas com a Austrália.
São estas questões - quiçá menos nobres quando comparadas com a Independência e a Liberdade, alimento da alma - que permitem o avanço material das nações e as põem em condições de apostarem no desenvolvimento real da nação.
Porque, viva o Direito Internacional e a sua justa aplicação, mas a sua justeza só se verifica de facto quando os estados mais fortes são chamados à atenção nos seus ímpetos de “flexibilização” da aplicação das normas internacionais a seu favor. Porque senão, como é “normal” nas Relações Internacionais a justiça penderá naturalmente para o lado mais forte e Timor – Lorosae será sempre visto como exemplo honroso da luta pela Liberdade e... pronto.
Frederico Silva
George W. Bush transmitiu uma mensagem «em nome do povo norte-americano, ao povo cubano».
«Estamos firmes ao lado dos 11 milhões de cubanos que sofrem com a ditadura de Fidel Castro e que querem o futuro próspero e livre», declarou. (...)
Os Estados Unidos trabalham para chegar ao dia em que uma Cuba livre se juntará à comunidade de democracias do continente americano», acrescentou.
Cuba tornou-se independente a 20 de Maio de 1902, então com o apoio dos Estados Unidos aos independentistas cubanos, na guerra contra Espanha.
A 6 de Maio deste ano, a administração Bush anunciou uma série de medidas que visam o fim do regime de Fidel Castro e a aceleração da instalação de uma democracia cubana.
in TSF online, 21/Maio/2004
RESPOSTA de Fidel:
« (...) Já que o senhor decidiu que nossa sorte está lançada, tenho o prazer de despedir-me como os gladiadores romanos que iam lutar no circo: Ave, César, os que vão morrer te saúdam. (...) »
O resto pode ser lido aqui.
A minha opinião
Nem oito, nem oitenta. Não é boa a ditadura de Fidel, que prende jornalistas e livre pensadores, mas também não é boa a mão de Bush, que basta olhar para o Iraque para ver o que acontece. Tirania, não obrigado. Caos, também não, obrigado.
Miguel Rodrigues

Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia
Estive a ler os Marretas e encontrei um link para o Abrupto de Pacheco Pereira, que parece andar em terras moscovitas. Fala da capital com um certo desdém, uma nervoso miudinho, um sorriso maléfico e um gritinho estridente sempre que encontra algo de errado. Bem infantil.
A Rússia de hoje, que visitei recentemente, é muito diferente da União Soviética dos anos 80, que era diferente da União Soviética dos anos 50, que era muito diferente da Rússia dos Czares. Como muitos países foram diferentes na maneira como interpretaram os factos da sua época e como actuaram na medida do seu interesse. Não querem que fale, por exemplo, da América de Kissinger, pois não?
A forma como se deu o desmoronamento da URSS foi demasiado abrupto e sem tempo para planos. Muitos continuam a coçar a cabeça e a perguntar como foi possível. Compreendo o saudosismo, mas nada substitui a liberdade de uma democracia.
Hoje em dia é possível ser-se crente, se simpatizarem com uma religião (a maioria religiosa é cristã ortodoxa - uma história bem divertida de excomunhão mútua entre os «patriarcas do ocidente e oriente», mas que tem de ficar para outra altura), as mulheres têm os seus direitos reconhecidos, é possível ter-se acesso aos bens «ocidentais», à internet se o desejarem nos inúmeros cybercafés, e é possível ser-se do partido que se prefere ou ler um jornal apartidário.
De facto o tabu dos dias de hoje é a Chechénia, mas... porque ataca Pacheco Pereira este assunto neste lado do mundo e não o faz, por exemplo, com a Espanha aqui ao lado e o País Basco ou a Catalunha, ou a Galiza, ou na Grã-Bretanha com o Ulster, com Israel e a Palestina, ou... enfim... porque é que na Chechénia são oprimidos e nestes exemplos são terroristas?
Os novos capitalistas, mais conhecidos por oligarcas. Será justo que perante o desmembramento físico e da riqueza da URSS, quando o poder político (de Ieltsin), não tem qualquer «mão» no processo (quer dizer corrupção desmedida), alguns - poucos - «eleitos» roubem à grande e se tornem, da noite para o dia, senhores incontestáveis com uma imensa opulência, enquanto a maioria da população passa dificuldades?
Abramovich, que foi um desses senhores, vendeu todas as posses e rumou para a Grã-Bretanha, fugindo à justiça. Comprou o Chelsea, algumas pérolas futebolísticas, e ao que parece também já comprou um novo treinador, Mourinho. Vive a nadar em dinheiro, mas deixou a empresa que dirigia na Sibéria com uma dívida de 1,4 biliões de dólares ao fisco. De onde veio tanta pressa e tanta abastança?
Nem tudo é perfeito na Rússia de hoje em dia. Existem ainda graves dificuldades sociais, os polícias são muito pouco afáveis, e existe um certo medo da transgressão e do confronto político sem restrições.
Mas a liberdade de imprensa existe - o canal europeu euronews é retransmitido em sinal aberto - e as eleições foram completamente livres e transparentes, com uma participação de 64% dos cidadãos a elegerem Putin com 71,2% dos votos.
As chances da economia russa são boas. Infelizmente não podem contar com a mesma sorte de Portugal, no acesso aos fundos europeus que deram umas maiorias valentes ao Prof. Aníbal.
Os passos da jovem democracia ainda são lentos, mas com uma grande vontade de evoluir no bom caminho. Isto é o que me continuam a dizer os amigos e amigas que lá deixei, e eu acredito.
Miguel Rodrigues
PS - Deixo alguns links para quem quiser ler notícias eslavas:
. Agência Novosti (em inglês)
. Jornal Pravda (em português)
. Gazeta (em inglês)
. The Moscow Times (em inglês
. St Petersburg Times (em inglês)
. InterNews (em inglês)
. Rádio Free Europe (em inglês)

A polémica confusão sobre a propriedade do petróleo existente no Mar de Timor está a deixar indignado quem segue a questão de perto. A Austrália vai arrastando as negociações e, ao mesmo tempo, não se escusa a ir refinando o petróleo que extrai sem escrúpulos, enquanto a fronteira não é delimitada.
O óptimo Blogo Social Português, que chamou a atenção para este facto, propõe que durante o dia de hoje, data do 2º aniversário da independência de Timor, se envie uma mensagem com o texto ''Fronteira justa para o mar de Timor'' para o email da Embaixada da Austrália em Lisboa:
FORÇA TIMOR-LOROSAE! PARABÉNS!
Miguel Rodrigues
Eis que continuam as agressões cegas sem qualquer misericórdia sobre os palestinianos e o seu território.
Uma manifestação pacífica de 3.000 pessoas no bairro Tel Al-Sultan, no campo de refugiados de Rafah, acabou com um ataque aéreo de helicópteros "Apache" israelitas, a morte de vinte manifestantes e muitos outros feridos.
Como se não bastasse, segundo os "Médicos Pelos Direitos Humanos", uma ONG (organização não governamental), o mesmo exército impediu as suas ambulâncias de viajar de Jan Yunis a Rafah, para assistir os feridos.

Um ultraje, um atentado à racionalidade.
Quem manda executar estas operações nojentas não pode ser mentalmente são.
Miguel Rodrigues
«(...) Mas, os iraquianos não mereciam Sadam.
Como os cubanos não merecem Fidel, os sírios não merecem Assad, os norte-coreanos não merecem os Kim, os jordanos não merecem aquele rei mercenário e de pacotilha. Por aí fora. Porque aquelas “estabilidades” são as dadas pela polícia, pelos militares e pelas castas dominantes. Como nós não merecemos Salazar e os espanhóis não mereceram Franco. São ordens impostas. E os povos, todos os povos, merecem a liberdade e a democracia. Mesmo que à custa de dores de parto. Terríveis dores, tantas vezes. Como os “balseros” cubanos que se fazem ao mar para conquistar a liberdade e naufragam ali mesmo, a poucas milhas da ilha-prisão.
Não concorda? Muito bem. Faça favor de dizer.»
CONCORDO!
«(...) Decididamente, pelo respeito que tenho por Espanha e pelos seus povos (repito: povos), falta-me o respeito para com esta Casa Real. Tudo agravado pelo espavento de umas Bodas que são um insulto revivalista e mundano, uma concessão aos senhoritos medievos e uma ofensa aos sentimentos dos trabalhadores e carentes que bem precisados estavam de outra aplicação das verbas gastas na cerimónia.»
CONCORDO!
Não é isto um abanar de cabeça seguidista, mas uma oportunidade para transcrever linhas esclarecedoras e muito bem alinhavadas por João Tunes :-)
MR
Antecipando a visita do Papa João Paulo II à Suíça, um grupo de católitcos helvéticos pediu, numa carta aberta dirigida a Sua Santidade, que renunciasse ao cargo. Será que continua a ser legítimo manter à frente dos destinos da Igreja um homem com um mau estado geral de saúde, que muitas vezes não consegue sequer terminar de ler os discursos que provavelmente não são escritos por si? É tradição ser-se Papa até à morte, mas a tradição justifica por si só a manutenção e contorna, por acaso, a falta de credibilidade?
A nova Concordata, entre o Governo português e a Santa Sé, foi assinada esta semana. Nem o país nem o Parlamento conhecem o seu conteúdo. Será esta uma posição razoável e transparente? Este documento mantém os previlégios de autonomia da Universidade Católica que nenhuma outra universidade portuguesa, pública ou privada, detém. Será isto igualdade? Mas as contradições não acabam aqui. Não é que foi o socialista Sousa Franco quem negociou o acordo, mas pelo lado do Vaticano?
Os consumidores portugueses têm razões para estarem alarmados. Foi autorizada a venda de milho geneticamente modificado. Já falei anteriormente sobre os perigos deste no produto, a 22 de Abril, aqui e aqui. Seis países votaram contra (Portugal, França, Áustria, Luxemburgo, Dinamarca e Grécia), outros seis votaram a favor (Irlanda, Reino Unido, Holanda, Suécia, Finlândia e Itália) e três abstiveram-se (Alemanha, Bélgica e Espanha).
No Iraque o caos alastra. É perfeitamente visível neste momento a desmesurada ganância de um país, os EUA, apoiado pela Grã-Bretanha, e que não tinham qualquer ideia sólida sobre o futuro dos iraquianos, nem qualquer plano coerente para colocar em marcha após a invasão. O seu propósito era única e exclusivamente retirar Saddam do poder, colocar um fantoche, controlar o petróleo e obter o máximo de contratos de reconstrução (curiosamente, reconstrução daquilo que as suas bombas destruiram).
Em Outubro, duas inspecções surpresa da Cruz Vermelha à prisão de Abu Ghraib foram travadas pela hierarquia militar. A espiral de mentira adensa-se.
Três funcionários árabes da agência Reuters denunciaram mais uma vez os abusos, torturas, humilhações sexuais, privação do sono e maus tratos de que foram alvo. Mais uma vez, porque da primeira ninguém acreditou, à excepção da agência, alegando os responsáveis que não existiam provas.
O regime americano, que anuncia aos quatro ventos ser democrático, tem práticas que mais parecem ditatoriais e concerteza totalitárias. Só assim se percebe que no inquérito que se seguiu, nenhum dos jornalistas tenha prestado declarações... estranho?!
Com a recente denúncia das fotos de torturas, o editor mundial da Reuters pediu à admnistração americana que faça uma revisão da sua posição. É o patamar mínimo da honestidade!
Por cá está em andamento a privatização da água. Normalmente sabe-se o que se segue: diminuição do investimento e incremento dos preços. Com quase todos os serviços e bens públicos privatizados, faltam apenas os raios solares e o período de exposição solar, o ar que respiramos, o acesso às praias, os parques naturais. Porque não também o património cultural? Venda-se tudo pela melhor oferta.
A boa notícia de hoje tem a ver com o Chile. O ex-chefe da polícia política da ditadura foi condenado a 15 anos de prisão. No entanto existem ainda quatro outros membros da cúpula repressora que foram condenados a outras penas entre os 10 e 15 anos. A Justiça tarda, mas existe. Aguarda-se o cárcere efectivo.
Miguel Rodrigues
«O sociólogo António Silva e Costa fez, em Braga, uma declaração surpreendente. "[O Euro] foi verdadeiramente uma vitória. É, porventura, o acontecimento mais importante que o país tem desde os Descobrimentos, muito mais do que a Expo 98, porque a cultura não move ninguém...»
O "Público" afirma que o sociólogo só pretende provocar, mas a verdade é que esta é a realidade pura e dura. Infelizmente.
Ou já esqueceram que até o primeiro-ministro abdicou da inauguração da cátedra de José Saramago, planeada meses antes, na maior universidade mexicana, para ir apoiar o FC Porto na Final da Liga dos Campeões?
Vale sempre a pena ter estas prioridades. Na cimeira estarão 58 chefes de Estado e de Governo, incluindo a totalidade dos representantes da nova União Europeia.
Mas Durão não estará presente. Tem coisas mais importantes para fazer...
Eu fico com a ideia é que o sr primeiro-ministro tem muito medo destas ocasiões, porque aproveitam sempre para lhe perguntar pelos trabalhos de casa!
Miguel Rodrigues
«Os tribunais continuam a ser o exemplo acabado das repartições públicas de meados do século XVIII» ou a «invenção de um louco e impreparado que desejou criar um modelo exemplar de um tribunal que não funciona».
José Miguel Júdice
in Diário de Coimbra, 18/Maio/2004
«A maioria dos portugueses acredita que os casais não têm filhos, ou não têm tantos quantos gostariam, por "falta de meios económicos". Considera aceitável que se viva junto sem casar. Tende a concordar que, quando os problemas conjugais parecem irresolúveis, o divórcio pode ser a melhor solução. Mas duvida que uma mãe sozinha possa criar uma criança tão bem como se a família estivesse unida.»
Sondagem da Universidade Católica para a RTP e Público
in Público, 18/Maio/2004
«O Supremo Tribunal de Justiça norte-americano recusou bloquear os casamentos entre homossexuais em Massachusetts, permitindo a este Estado tornar-se no primeiro do país onde os casamentos legais serão autorizados.»
in Público, 18/Maio/2004
«The human rights group Amnesty International charged Tuesday that Israel is guilty of war crimes and grave breaches of the Geneva Convention in its destruction of large numbers of Palestinian homes in the West Bank and Gaza Strip in the course of the Palestinian uprising. »
in The Haaretz, 18/Maio/2004
«Apesar dos permanentes rumores sobre sua saúde, o presidente cubano Fidel Castro está são e viverá 140 anos, assegurou o chefe da equipe médica do líder, Eugenio Selman Housein. ”Ele (Castro) vai viver até os 140 anos; não estou exagerando. Agora, com o avanço da ciência e com o aparecimento das células-tronco (que permitem a regeneração dos órgãos), o homem será imortal“, disse Selman.»
in Gazeta do Povo, 18/Maio/2004
«O Vaticano desaconselhou hoje os casamentos entre as fiéis católicas e muçulmanos e apelou a estes para terem mais respeito pelos direitos humanos, igualdade entre sexos e democracia. (...)
Segundo o documento, quando uma católica e um muçulmano se querem casar, "a experiência ensina que é necessária uma preparação especial, cuidada e profunda" antes de se dar o passo.»
in Público, 14/Maio/2003
«It's not made of gold - just eggs, lobster, caviar and a few trimmings. But an omelet on the menu of a swanky Manhattan hotel will set you back $1,000, plus tip.
"I couldn't believe it was the price when I first saw '1,000' on the menu. I thought it was the calorie count," Virginia Marnell, a customer at Norma's restaurant in Le Parker Meridien hotel on West 57th Street, told the Daily News for Monday editions.»
in Associated Press, 17/Maio/2004
«Los lemas oficiales de la convocatoria y la 'jornada de protesta' son "Abajo la Monarquía", "Menos bodas reales y más gastos sociales" y "No a la boda del capital y la guerra". (...)
El Manifiesto de protesta recogido por Europa Press, afirma que "lo que debiera ser un enlace civil entre dos ciudadanos se ha convertido en un grotesco, zafio y carísimo espectáculo de exaltación de los valores más reaccionarios".
En este sentido, el documento recoge que "el lujo de la ceremonia y el derroche de dinero público para pagarlo resultan insultantes al contrastarlos con la realidad de millones de ciudadanos que ven continuamente mermados sus derechos sociales y no pueden desarrollar plenamente sus expectativas vitales en una coyuntura de precariedad laboral, carestía y endeudamiento crecientes". (...)
Después de asegurar que la historia "ha enseñado" que la monarquía "ha estado siempre asociada y lo sigue estando al dominio de una deleznable minoría reaccionaria" y que "no se trata de un acto más" porque Felipe de Borbón "se casa para perpetuar una dinastía ilegítima que reina en España por imposición del régimen franquista".»
in Europa Press, 13/Maio/2004
MR
Satânica degradação
Quem diria que no ano 2004, tropas norte-americanos estariam envolvidos numa política sistémica e sistemática de tortura de prisioneiros? Mas estão. Lynndie England, a Grande Heroína Americana, fazendo com os dedos o símbolo “OK”, a torturar indefesos prisioneiros, fez as manchetes desta semana, quando Rumsfeld afirmou que “há muito pior a vir”…e fica no seu lugar.
Infelizmente não foi só Lynndie England nem só a prisão de Abu Graib em Bagdade. A tortura dos prisioneiros detidos pelas forças norte-americanas no Iraque aconteceu em Bagdade, em Abu Graib, aconteceu em Bucca, aconteceu noutros lugares. Chama-se “liberdade e democracia”, chama-se “ganhar corações e mentes”, ao estilo Bush.
Na história há vários momentos negativos, como a Inquisição, como os massacres perpetrados pelos colonizadores contra povos indígenas, como por exemplo os ultrajes que foram cometidas em campos de extermínio geridos pelas forças fascistas de Hitler. O que aconteceu em Abu Graib, e não só, demonstra o tamanho e a medida do monstro que se chama o regime de George Bush. Pertence a estes momentos negativos e arrasta para a fossa todos os regimes que não tiveram a coragem de falar no nome da razão, e que responderam com cobardia às ordens de Washington.
Um destes regimes é o (des)governo de José Barroso, regime que dá o aval à política de chacina dos EUA no Iraque, regime que destrói o tecido social em Portugal, que é totalmente incapaz de criar uma almofada que protege o povo que o elegeu do desastre que é sua política financeira, económica e social.
O (des)governo da coligação PSD/PP é uma espécie de satânica degradação da sociedade portuguesa. Faltam só dois anos, dois anos de sofrimento, de desemprego, da humilhação do povo português. Que mal fizeram a Deus?
Bush considera que Rumsfeld é “corajoso”
Na opinião de George Bush, que não conta muito, Donald Rumsfeld é corajoso. “Corajoso” seria uma escolha curiosa dum adjectivo para descrever um homem cujas forças perpetraram actos de tortura e depois tentou encobrir o sucedido.
Outros diriam “cruel”, “maldoso”, “macabro” ou coisa assim. Outros diriam simplesmente “criminoso de guerra” ou “assassino”. Mas “corajoso”?
Coragem é empregar firmas de “segurança”, propriedade de ex-soldados e membros das forças especiais ligados ao Pentágono, dar-lhes a luz verde para, juntamente com membros das forças armadas dos EUA, humilharem os prisioneiros, indefesas, nus, desarmados, presos, maniatados, esforçando-os a fazer actos vis duma perversão estudada?
Coragem é ver “pessoas” como a Grande Heroína Americana, Lynddie England, a tirar fotografias das suas vítimas, e depois desculpar-se dizendo que não lhes foram dadas instruções sobre como interrogar os prisioneiros?
É assim que as pessoas agem nos Estados Unidos da América? Urinam sobre as pessoas, partem-lhes os dentes, esforçam-nos a chupar os pénis dos outros homens, sujeitam-nos a actos de sodomia? Atam roupa interior a volta das suas cabeças e caras, violam as mulheres detidas, espancam as pessoas até à morte?
Não é só a Grande Heroína Americana Lynndie England. São meses e meses e meses de abuso por inúmeros elementos, perpetrados sistémica e sistematicamente durante uma tentativa de encobrir os actos demoníacos que aconteceram.
E Rumsfeld simplesmente pede desculpa e fica no seu lugar, Bush não pede desculpa depois afinal pede, e fica lado a lado com Rumsfeld, que considera “corajoso”?
Estes dois criminosos de guerra deveriam estar num tribunal, acusados de crimes de guerra e contra a humanidade, acusados de darem instruções às suas forças armadas para propositadamente destruirem as infra-estruturas civis dum país, para depois espalhar contratos bilionários à elite corporativa que grávida a volta da Casa Branca, controlada(s) por Cheney.
Estes dois criminosos de guerra deveriam estar num tribunal, acusados de chacinar dez mil civis, de mutilar mais trinta e cinco mil pessoas, deveriam ser acusados de deitar bombas de fragmentação em áreas residenciais, deveriam ser acusados do massacre ou mutilação de mil crianças.
Deveriam ser acusados de serem os responsáveis máximos pelas cenas mais chocantes de tortura a serem mostradas na televisão deste Auschwitz ou Dachau ou Treblinka. Só faltam câmaras de gás e fornos.
E Bush considera isso “corajoso”?
Mandato de captura para Wiranto
A ONU emitiu o mandato de captura contra Wiranto por crimes contra a humanidade cometidas em 1999, na sua capacidade de Ministro de Defesa da Indonésia e Chefe das Forças Armadas daquele país durante os massacres no processo de independência.
Em Fevereiro de 2003, a Unidade de crimes Graves da ONU indiciou Wiranto para responsabilidade de comando em crimes que incluíam assassínio, persecução e deportação ilegal.
Nicholas Koumjian, Vice-procurador-geral para Crimes Graves, considera que este mandado “soletra uma mensagem clara que as vítimas não foram esquecidas e que a comunidade internacional não tolera a impunidade para aqueles que são culpados de crimes contra a humanidade, sejam quem for”.
Sob os termos do direito internacional, comandantes que sabiam, ou que deveriam ter sabido, da ocorrência de crimes contra a humanidade cometidos por elementos sob o seu controlo, mas não tomaram as medidas adequadas para punir os perpetradores ou impedir que os crimes fossem cometidos, são responsáveis e culpáveis dum acto criminoso.
Wiranto…que tinha uma reunião com os seus mestres da CIA todas as semanas. Não surpreende muito, desde que quem deu a ordem para a invasão de Timor Leste pelas forças fascistas e assassinas de Indonésia foi o Henry Kissinger.
Não escapam os maldosos
Governo britânico contempla época após Blair
O governo do Reino Unido se reuniu esta semana para debater a possibilidade dum governo New Labour sem o Primeiro-ministro Tony Blair, devido à onda de revolta nas bancadas do partido no governo na sequência do ultraje que se chama a guerra no Iraque.
Ninguém gosta dum primeiro-ministro que mente, que inventa um causus belli falso para cometer depois um acto de chacina, vitimando dez mil pessoas inocentes, ferindo trinta e cinco mil civis, destruindo propositadamente as infra-estruturas do Iraque para depois haver uma distribuição de contratos de reconstrução de forma arbitrária… ninguém gosta dum líder que fez parte duma coligação, juntamente com Bush, Berlusconi, Aznar, Barroso, que viu bombas de fragmentação deitadas em áreas de residência civil, que vitimou pelo menos mil crianças. Ninguém gosta dum Primeiro-ministro cujas forças armadas assassinaram crianças, mortas com tiros nas costas.
Se bem que o Daily Mirror tenha publicado fotografias falsificadas, vamos lembrar que os governos do Reino Unido e dos EUA falsificaram documentos para tentarem provar a cumplicidade do governo de Bagdade em programas nucleares, vamos lembrar da chacina dos civis iraquianos e vamos ficar focados na verdade, nomeadamente o nojento clique de covardes que apoiou e continua a apoiar a política de Washington no Iraque.
O povo norte-americano, britânico, português, italiano, dinamarquês, australiano e polaco tem muita coisa a fazer, no exercício democrático do voto. O povo espanhol já falou. E bem.
Timothy Bancroft-Hinchey
Uma pequena nota mais para quem vive longe da fronteira com Espanha, pois quem vive perto já descobriu concerteza...
O preço da gasolina no país vizinho está cerca de 23-cêntimos-23 por litro mais barato, apesar da liberalização por cá (as diferenças entre postos de abastecimento, na maioria dos casos, são mínimas). O preço do gasóleo tem uma margem mais pequena. Apenas 2-cêntimos-2 inferior em terras de nuestros hermanos.
No caso da nossa península, quando o preço do petróleo sobe, é para todos.
Mas... 23 cêntimos mais caro? Talvez a sra ministra das finanças queira dizer uma palavra? Talvez estejamos a ser roubados e enganados? Talvez... não... de certeza!
Miguel Rodrigues
E se de repente a página que procura na internet desaparecesse como baleias, chimpazés e gorilas podem desaparecer sem a sua ajuda?
Vale a pena visitar a página do erro 404 da Greenpeace!
MR
No Iraque continua a barbárie. O ditado "olho por olho, dente por dente" continua muito popular, vivo e actual. Muito mesmo.
As imagens horríveis de encapuzados que degolam um americano sequestrado semanas antes, gravadas em vídeo prova isso mesmo.
Mas quanto vale uma vida? Vale um americano mais do que um iraquiano?
Soldados britânicos foram acusados de matar civis, incluindo uma menina de oito anos, por serem considerados "irrelevantes".
Se por um lado a ditadura e as torturas de Saddam ao seu próprio povo eram (muito) más, é esta a liberdade e a democracia trazida pelo ocidente?
Miguel Rodrigues
O barril de crude atingiu ontem em Nova Iorque o preço recorde de 40,77 dólares, o valor mais alto desde 1983. O brent, cotado no mercado de Londres, fechou ontem à tarde nos 36,05 dólares por barril.
As tensões geopolíticas, os erros da admnistração Bush no Iraque, a "ameaça do terrorismo", bem como a demanda crescente por gasolina nos EUA estão entre os factores que potenciam estes aumentos praticamente diários.
Mas não apenas. A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que controla a indústria petrolífera, anunciou que não aumentará a produção, espicaçando a escalada dos preços.
Enquanto a maioria dos países se desespera com a crise, as companhias petrolíferas vão também aumentando os preços nas suas redes de distribuição. Ou seja, em todo o caso quem paga é o consumidor.
Em 2000, altura duma das mais altas subidas de preços ocorridas recentemente, as grandes multicionais iam apresentando lucros gordos enquanto os consumidores metiam as mãos à cabeça com o preço dos combustíveis.
Nessa altura, com o preço do barril de brent a 31 dólares, a hispano-argentina Repsol-YPF, festejava um lucro líquido de 1 bilião de dólares (crescimento de 301%), a americana Exxon-Mobil, a maior empresa do mundo, anunciava um lucro líquido de 8 biliões (crescimento de 116%), a anglo-holandesa Royal Dutch Shell facturou 6 biliões (crescimento de 106%), e finalmente a britânica BP Amoco, lucrou 6,5 biliões (crescimento de 197%).
Que o preço suba e isso provoque custos elevados, compreende-se, mas as margens de lucro utilizadas pelas grandes multinacionais que refinam o petróleo são gordas e não deixam margem para dúvidas: quer o preço esteja alto, quer esteja baixo, quer os investidores estejam nervosos ou calmos, quem lucra são eles e quem paga a factura, sempre, são os consumidores.
Como vai ser? Continuamos a deixar que nos manipulem descaradamente?
Miguel Rodrigues
Então não é que agora os senhores do governo francês querem proibir o uso de barba se for ostentada por motivos religiosos?
Segundo The Humanist, é este mesmo o passo que tencionam dar! Ser interdito o uso do chador, dentro das salas de aulas, ainda pode ser dificilmente compreensível, apesar de não respeitar a liberdade religiosa, mas... proibir a barba?
Fanatismo? Ou extrema confusão sobre o que é liberdade de usos e, por conseguinte, de expressão?
Miguel Rodrigues
Na opinião de George Bush, que não conta muito, Donald Rumsfeld é corajoso. “Corajoso” seria uma escolha curiosa dum adjectivo para descrever um homem cujas forças perpetraram actos de tortura e depois tentou encobrir o sucedido.
Outros diriam “cruel”, “maldoso”, “macabro” ou coisa assim. Outros diriam simplesmente “criminoso de guerra” ou “assassino”. Mas “corajoso”?
Coragem é empregar firmas de “segurança”, propriedade de ex-soldados e membros das forças especiais ligados ao Pentágono, dar-lhes a luz verde para, juntamente com membros das forças armadas dos EUA, humilharem os prisioneiros, indefesas, nus, desarmados, presos, maniatados, esforçando-os a fazer actos vis duma perversão estudada?
Coragem é ver “pessoas” como a Grande Heroína Americana, Lynddie England, a tirar fotografias das suas vítimas, e depois desculpar-se dizendo que não lhes foram dadas instruções sobre como interrogar os prisioneiros?
É assim que as pessoas agem nos Estados Unidos da América? Urinam sobre as pessoas, partem-lhes os dentes, esforçam-nos a chupar os pénis dos outros homens, sujeitam-nos a actos de sodomia? Atam roupa interior a volta das suas cabeças e caras, violam as mulheres detidas, espancam as pessoas até à morte?
Não é só a Grande Heroína Americana Lynndie England. São meses e meses e meses de abuso por inúmeros elementos, perpetrados sistémica e sistematicamente durante uma tentativa de encobrir os actos demoníacos que aconteceram.
E Rumsfeld simplesmente pede desculpa e fica no seu lugar, Bush não pede desculpa depois afinal pede, e fica lado a lado com Rumsfeld, que considera “corajoso”?
Estes dois criminosos de guerra deveriam estar num tribunal, acusados de crimes de guerra e contra a humanidade, acusados de darem instruções às suas forças armadas para propositadamente destruirem as infra-estruturas civis dum país, para depois espalhar contratos bilionários à elite corporativa que grávida a volta da Casa Branca, controlada(s) por Cheney.
Estes dois criminosos de guerra deveriam estar num tribunal, acusados de chacinar dez mil civis, de mutilar mais trinta e cinco mil pessoas, deveriam ser acusados de deitar bombas de fragmentação em áreas residenciais, deveriam ser acusados do massacre ou mutilação de mil crianças.
Deveriam ser acusados de serem os responsáveis máximos pelas cenas mais chocantes de tortura a serem mostradas na televisão deste Auschwitz ou Dachau ou Treblinka. Só faltam câmaras de gás e fornos.
E Bush considera isso “corajoso”?
Timothy Bancroft-Hinchey
Existia em Portugal uma empresa de renome chamada Sorefame. Depois passou a ser AdTranz. Depois houve uma empresa canadiana chamada Bombardier que comprou integralmente a AdTranz eliminando assim a concorrência europeia.
Existiram em Portugal diversos Governos que "ouviram falar de rumores" sobre o eventual fecho da ex-Sorefame. Quer digam por falta de "trabalhos adjudicados", quer por pressões unicamente da especulação imobiliária.
O Governo actual, liderado por Durão Barroso, o cherne que se auto-proclamou "salvador da pátria e libertador dos vícios ancestrais da governação socialista", também já sabia das evidências há pelo menos um ano.
Sabia mas também não fez nada. Não mexeu uma palha.
A governação é francamente má. E encabeçada por "caras de pau" que participam activamente na criação de um verdadeiro exército de desempregados.
Miguel Rodrigues
As novas notícias dão conta que o admnistrador civil no Iraque, Paul Bremer, já tinha sido informado em Novembro das torturas. Em Janeiro, apenas telegraficamente as autoridades americanas dão conta de estarem a ser investigados alguns abusos.
Rumsfeld, mentiroso nato com créditos já dados (aqui e aqui), diz que só há dias viu as fotos. Mas só mesmo quem deseja muito é que pode acreditar... aliás a história só podia ser mesmo assim, uma vez que quem lidera os destinos da prisões americanas no Iraque é Geoffey Miller, que antes esteve na direcção de Guantanamo... onde todos sabem que a primeira preocupação são os direitos humanos!
Miguel Rodrigues
George “Eu não peço desculpas, não! Afinal peço” Bush
Na semana em que os cidadãos nos estados do sul dos EUA recebem ordens nas igrejas baptistas para votarem no bom cristão George Bush, este faz um acto cínico de calculismo político, propositadamente evitando utilizar a palavra “desculpa” pelos actos de tortura perpetrados pelas forças armadas dos quais ele é o Comandante e a seguir, utilizar esta palavra só porque foi muito criticado em não a utilizar no dia anterior, mas evidentemente não porque ele queria.
Cada vez mais parece o miúdo maldoso que colocou o hámster no micro-ondas e depois mente descaradamente para safar a sua pele. Até pede desculpa se achar que vai produzir resultados.
Um bom cristão tem a humildade suficiente para saber que errou ou que as forças pelas quais ele é o responsável máximo erraram e um homem decente simplesmente pede desculpa pelo facto. George Bush, não. Evita utilizar a palavra porque tem medo que isso poderá ter repercussões políticas e depois decide utilizar a mesma porque a não utilização poderá ter repercussões políticas. É cobardia moral.
Basicamente, George Bush dirá e fará tudo para satisfazer todos este ano, que dita o futuro do clique da elite corporativa que o rodeia e que faz a política em Washington. No entanto, poderá não ser o suficiente.
O povo norte-americano, como qualquer outro, não gosta de ser liderado por um grupo de criminosos de guerra, por assassinos em grande escala, por uma cambada de mentirosos descarados que não têm uma grama de compaixão entre eles, essa ditadura calvinista que agarrou as rédeas do poder nos Estados Unidos da América.
Por isso o povo norte-americano tem uma oportunidade muito boa para se livrar desse gang, utilizando o seu direito de votar, ou não votar. Neste momento, para muita gente, parece que qualquer candidato será melhor que o Bush, seja quem for.
Britânicos apanhados a copiarem o amo
Quem diria que o exército britânico estaria envolvida também em actos de tortura de prisioneiros? Mas é, e as autoridades sabiam destes casos há dois meses, preferindo se calar e tentar encobri-los.
Só que uma imprensa livre vira todas as pedras até que seja descoberta a verdade. Os líderes políticos têm de ter a responsabilidade pela qual foram eleitos e têm de seguir as correntes de opinião pública mundial. Torturar prisioneiros pertence aos tempos da Inquisição. Invadir países sem pretexto também.
Chacinar civis também, deitar bombas de fragmentação em áreas residenciais também, destruir infra-estruturas civis propositadamente também.
Por isso deixemos a História escrever o epitáfio dos senhores que escolheram a Guerra à Paz, dois mil anos depois de Cristo ter-nos ensinado a discutir, dialogar, democratizar. Bush e Blair não são democratas nem agem como cristãos, antes como os íncubos do Demónio, o Diabo em carne humana.
Assassínio de Akhmad Kadyrov – terrorismo e negócios
No dia em que a Federação Russa celebrou o 59º aniversário da vitória da União Sovíetica contra as forças fascistas de Hitler na Grande Guerra Patriótica, em que 20 milhões de cidadãos da URSS deram suas vidas pela liberdade da Europa e do mundo, o Presidente da Chechénia eleito no ano passado, Akhmad Kadyrov, foi assassinado por um atentado com bomba em Grozny.
Terrorismo, de certeza mas na Chechénia o terrorismo e os negócios são interligados. Isso não é uma questão da liberdade do povo checheno – a grande maioria detestam os terroristas e querem continuar a serem membros da Federação Russa. As acções de Kadyrov nos meses recentes, tentando controlar todas as áreas de governo e centralizando tudo na sua pessoa, incluindo os negócios, poderão ter soletrado a mensagem do seu fim.
Chechénia, terra do terrorismo, banditismo e negócios, há 200 anos.
Actos ditatoriais contra Cuba
George W. Bush é líder dum regime fascista. Não se encontra qualquer outra palavra por um regime que proíbe a livre circulação de pessoas e bens por razões políticas. Os cubanos que residem nos EUA não podem enviar dinheiro a familiares que pertençam ao Partido Comunista, só podem ir visitar a ilha uma vez de três em três anos e não podem enviar mais que 900 USD por ano.
Isso é liberdade e democracia?
Actos ditatoriais da UE
Afinal, do Dia da Europa, não se celebra a livre circulação de pessoas e bens na União Europeia, onde todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros, pelos vistos. Os habitantes dos dez novos estados-membros não poderão circular livremente na União durante os próximos dois anos, prazo que poderá ser alargada a mais cinco, se os membros quiserem.
O futuro dirá se foi uma boa ideia para os povos destes novos membros e ditará se algum dia a Federação Russa vai entrar…ou ficar a ver se a União se desmorona, tal como aconteceu em tentativas anteriores de unir o que nunca ficou unido. Vê-se pela atitude dos países ricos na Europa de três velocidades – rápido, médio e parado. Infelizmente, Portugal, “dirigido” pelo bando de inúteis liderados pelo desgoverno de José Barroso, o rei da incompetência e Manuela Leite, rainha do desemprego, pertence ao último grupo.
Bush altera Mapa de Estrada
Que George Bush é estúpido, todos sabem. Que é incompetente, também. Há estúpidos que podem fingir serem competentes e incompetentes que podem fingir não serem estúpidos, mas Bush não é daqueles que é estúpido dia sim, dia não.
No Sábado disse que o prazo de criar o Estado Palestiniano em 2005 é irrealista, devido à falta de acção contra a violência por Yasser Arafat. O Presidente da Autoridade Palestiniana declarou que o prazo de 2005 para a criação do Estado de Palestina era “mais do que realista”, posição ecoada pelo Primeiro Ministro, Ahmad Qorei.
Em criando o Estado de Palestina, conforme o que foi estipulado na Mapa de Estrada, haverá mais oportunidades para esforçar os dois lados a respeitarem suas responsabilidades. Adiar o que já foi decidido é prolongar o problema.
No entanto, Bush sofre de estupidez crónica e aguda. Nada a fazer. É só esperar que o eleitorado dos EUA faça o golpe de misericórdia em Novembro.
Timothy Bancroft-Hinchey
Não pude deixar de pensar na palavra "caricato" quando li esta notícia. Para nós tão normal desde 1975 (alteração do artigo XXIV da Concordata; divórcio civil - Decreto-Lei n.º 187/75, de 4 de Abril), o divórcio chegou apenas agora ao Chile, revogando uma lei de 1884, pasme-se!
Ricardo Lagos, presidente chileno, aprovou na sexta-feira o novo decreto, apesar da eterna e omnipresente oposição da Igreja Católica, uma vez que até aqui apenas a separação era tolerada.
Depois desta evolução, Malta (que aderiu à UE no dia 1) e Filipinas continuam a ser as únicas democracias que não permitem o divórcio.
Miguel Rodrigues
“O primeiro governo de António Guterres era bem melhor que este.”
Vasco Pulido Valente
Rádio Renascença, 06/Maio/2004
“O negócio deste governo é números. Se os números têm ou não pessoas lá dentro, é indiferente.”
João Paulo Guerra
in Diário Económico, 06/Maio/2004
“Alguém conhece muitas empresas portuguesas capazes de se bater na Europa com concorrentes mais poderosos e vencê-los? Alguém conhece muitos produtos que tenham feito conhecer tanto lá fora o nome de Portugal como a marca FC Porto? ”
Miguel Sousa Tavares
in Público, 07/Maio/2004
“Mais uma vez uma burocracia centralista e invertebrada combina literalismo obtuso com provincianismo (como já retratava Eça de Queiroz há mais de cem anos) para justificar a sua incapacidade de criar uma cultura de competência nos 30 anos desde a nossa libertação.”
Fernando C. N. Pereira
in Público, 07/Maio/2004
“ Actriz e cientista - No início dos anos 40, uma das mais belas mulheres de Hollywood patenteou um sistema para controlar bombas à distância através de sinais de rádio.”
Joana Filipe
in Público, 07/Maio/2004
“O controverso ginecologista italiano Severino Antinori, célebre por ter viabilizado partos em mulheres na menopausa, afirma que há três bebés no mundo nascidos graças à técnica da clonagem, noticiou hoje a imprensa italiana.”
in Público, 07/Maio/2004
Michael Moore viu o seu novo filme, “Fahrenheit 9/11 - A temperatura a que a liberdade arde”, com a distribuição suspensa depois de uma decisão negativa da Disney, que detém a Miramax, produtora do filme.
No cerne da recusa está o facto da Disney ter (literalmente) medo que a película cause a raiva de Jeb Bush, governador da Florida e irmão do Presidente americano, anulando os amplos benefícios fiscais que a empresa neste momento beneficia.
O filme vai certamente incendiar a política americana em ano de eleições, até porque trata sobre a história de trinta anos de ligações entre a família Bush e proeminentes famílias sauditas, nas quais se inclui Bin Laden. A fase final de produção esteve em ritmo acelerado já que o documentário vai estar na corrida para os prémios de Cannes na próxima semana.
Moore comenta: “será que isto é suposto acontecer num país livre e numa sociedade aberta, quando os interesses financeiros são aqueles que puxam os cordelinhos em relação à informação que o público está autorizado a ver?”, acrescentando que está “do lado dos pobres e das classes trabalhadoras deste país que são carne para o canhão desta guerra”.
Mais palavras para quê?
Miguel Rodrigues
Continuam a chover as críticas a Bush, desta vez por causa da sua actuação em relação a Cuba. É sabido que Bush tem tentado por todos os meios envenenar as relações entre os dois países e, mais ainda, isolar de todas as formas a ilha. Isso é bem visível neste artigo do The Guardian. Nem os turistas americanos podem viajar...
Depois da II Guerra Mundial o regime ditatorial instalado na ilha, patrocinado pelos EUA, não só faz a pobreza alastrar por todo o lado, como permite às empresas americanas controlarem 75% das terras, 90% dos serviços e 40% da produção de açúcar.
Depois de uma primeira tentativa em 1953, Fidel Castro é exilado no México e será entre 1956 e 1959, a partir de Sierra Maestra que atingirá o seu desiderato.
Sem dúvida que a situação de Cuba, neste momento, é muito menos do que a revolução feita por Castro e Guevara prometia.
E é verdade que, em parte, não pode ser mais porque existe um bloqueio criminoso e incompreensível feito por quem luta desde o início contra os revolucionários.
De todo isto não perdoa a situação (o direito à liberdade é fundamental), mas torna mais compreensíveis os ódios latentes.
Miguel Rodrigues
Muito interessantes os segredos postos cá fora pela DIA americana [Defense Intelligence Agency], sobre o hediondo ditador chileno, o General Augusto Pinochet. Interessante também o facto de diversos documentos terem sido desclassificados e passado algum tempo voltaram a ser «matéria confidencial».
Pinochet tomou o poder num golpe de estado e estabeleceu um regime ditatorial de extrema-direita, repressivo e brutal, ajudado pelos americanos, e que durou até 1990.
No dia 11 de Setembro de 1973 o governo democraticamente eleito do Dr. Salvador Allende foi derrubado por um golpe pensado por Pinochet, Henry Kissinger e diversos oficiais do Pentágono e posto em prática pelos mercenários americanos e pelos carniceiros do General. Às 12 horas e 15 minutos, Allende e a democracia chilena morriam no Palácio presidencial de La Moneda.
O terror que se seguiu incluiu a morte de mais de três mil e duzentos opositores, a tortura de mais de 200 mil pessoas, e o exílio de muitos outros milhares. Todos aqueles a quem os familiares perderam o rasto (ou seja, que certamente foram assassinados), têm apenas o triste rótulo de «desaparecidos».
Segundo as informações da DIA, Pinochet era «charmoso, atractivo, e de bom trato.» Também falam do General como «muito honesto, trabalhador, dedicado. Um devoto e tolerante marido e pai, que vive modestamente.» Para justificar o golpe, dizem que apenas relutantemente Pinochet aceitou tomar parte do «esquema», que era necessário para salvar o Chile do comunismo e do caos.
No entanto, este mostrou-se sempre favorável ao crescimento e fortalecimento das relações com os americanos, comprando equipamento militar e através do treino de soldados chilenos nas academias americanas.
Outros segredos agora novamente ocultos, falavam do seu gosto por bebidas como o pisco, whisky, cigarros e festas, bem como o especial prazer por discutir os problemas militares mundiais de uma maneira franca e de «homem para homem».
Sabe-se agora que o secretário de estado do Governo de Nixon e Ford, Henry Kissinger, tinha em seu poder informações que a DINA (polícia política chilena), estava a levar a cabo dezenas de milhares de torturas de opositores ao regime e que havia começado a assassinar líderes rebeldes.
Um dos memorandos que chegaram à DIA reporta: "Uma repressão violenta está planeada. Os militares estão a rodear um grande número de pessoas, incluindo estudantes e esquerdistas, prendendo-os. 300 estudantes foram mortos na universidade técnica."
Outros memorandos, datados de Outubro de 1973 e Fevereiro de 1974 falam do plano de Pinochet para “destruir toda e qualquer resistência em dois meses. (...) Isto implicará mais mortes pelos militares.” Outro fala que “levam a cabo técnicas adoptadas pela inquisição espanhola, em que os interrogados são severamente torturados.”
Os relatórios são imensos e mostram claramente que os americanos em vez de levantarem a bandeira dos direitos humanos, foram sempre encobrindo a estrumeira dos factos. Aliás, aprovava-os, como mostra a nota da conversa mantida entre Kissinger e Pinochet, na visita do primeiro a Santiago em Junho de 1976, declarando que “nós apoiamos simpaticamente o que está a tentar fazer aqui”. Meses depois, Orlando Letelier, chanceler chileno exilado nos EUA, morria pelas mãos de agentes da DINA em Washington.
"Pagaré con mi vida la defensa de principios que son caros a esta patria. (…)
El pueblo debe estar alerta y vigilante. No debe dejarse provocar, ni dejarse masacrar, pero también debe defender sus conquistas. Debe defender el derecho a construir con su esfuerzo una vida digna y mejor. (…)
¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!
Éstas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición."
Salvador Allende, na sua última intervenção transmitida pela Rádio Magalhães a 11 de Setembro de 1973
Miguel Rodrigues
(perdoem-me a heresia do título - é irónico, como espero que percebam)
Quem olha para a imprensa nacional em Portugal hoje, dia 5 de Maio de 2004, tem uma péssima noção das questões que interessam a sociedade portuguesa: a saída de Carlos Cruz da prisão e a vitória do FC Porto na Liga dos Campeões.
As cenas fora da prisão em Lisboa na altura da saída de Carlos Cruz, um apresentador de televisão acusado (mas ainda nem julgado) de crimes relacionados com a pedofilia, mostraram o lado mais absurdo da sociedade portuguesa. Os jornalistas quase atropelavam uns aos outros na sua procura de obter uma frase ou palavra do Carlos Cruz, uns batiam nas janelas do carro, outros impediam sua marcha.
A cena repetiu-se mais tarde frente à casa do apresentador em Cascais, deste vez o circo mediático acompanhado pela merda humana do jet-seis portuguesa - que nunca chegará a Jet Set(e). Lá estavam todos, para serem vistos e para aproveitarem da situação, tal como aqueles necro-turistas que faziam excursões para o norte do país para fazerem piqueniques no local onde tinha havido uma catástrofe em Entre-os-Rios, com a queda duma ponte.
Que vergonha! Ninguém se lembrou que num país civilizado, uma pessoa é presumivelmente inocente até ser provado o contrário?
Mas ainda lá estão as equipas de jornalistas e as câmaras, bandos de abutres acampados frente à casa do Carlos Cruz. Falta só instalar um microfone na sanita da casa de banho dele e depois distribuir cassetes grátis como fascículos do jornal. Aumentaria as vendas, melhoraria a circulação e providenciaria mais dinheiro em termos de publicidade.
Mas é notícia? Isso é informar a sociedade portuguesa? Reclamam que nos tempos da ditadura, havia 20% de analfabetas em Portugal. Hoje há 40% de analfabetas funcionais. É isso um motivo de orgulho?
Para quem olhar para os cinco jornais que fazem mais que 80% da circulação dos jornais diários de notícias em Portugal, não é de ficar surpreendido. Carlos Cruz. Carlos Cruz. Carlos Cruz. Carlos Cruz. Carlos Cruz. FC Porto. FC Porto. FC Porto. FC Porto. FC Porto.
Que o Futebol Clube do Porto tem um lugar nas notícias do dia, com certeza, pois chegou de maneira brilhante ao final da Liga dos Campeões, depois de ter vencido a Taça UEFA no ano passado, dois campeonatos seguidos, a Taça de Portugal no ano passado e está no final deste ano, isso para juntar ao considerável número de troféus que é testemunho da excelente gestão do Jorge Nuno Pinto da Costa e do brilhantismo do grupo de trabalho, habilmente dirigido pelo treinador José Mourinho, entre os melhores do mundo neste momento.
Até colocar o FC Porto na mesma página que a história (ou histeria) de Carlos Cruz denigre o feito, não pela imagem do apresentador, mas sim pelo facto de colocar o quê é notícia desportiva com a não-história duma figura pública envolvido no que é até agora pura fofoqueira porque o homem ainda não foi julgado.
Mas será que a milhão de pessoas em risco de morrer em Darfur (onde?), que os centenas de milhares de desempregados em Portugal, vítimas da arguta liderança de José Barroso, Manuela Leite e companhia (extremamente) limitada, o acto de chacina dos Estados Unidos da América no Iraque, os actos de tortura perpetrados pelos soldados norte-americanos contra os prisioneiros… não são notícias mais importantes?
Parece que não. Viva o futebol, viva o Fado, viva a Pedofilia! Ceguem a população aos assuntos reais e mais importantes e como todos sabemos, quando a população está a viver num estado de ignorância feliz sem aperceber-se disso, é muito mais fácil de controlar.
Portugal ainda não está livre, pelos vistos, da coleira fascista a volta do pescoço colectivo do seu povo e os órgãos de (des)informação são parcialmente responsáveis por isso.
Timothy Bancroft-Hinchey
«O Presidente rejeitou a "tentação de um permanente experimentalismo, pautado pelo ritmo de reformas legislativas que se contradizem ou se anulam umas às outras" e defendeu que "30 anos depois de Abril é pela educação, pelo conhecimento e pela cultura que se continua a liberdade".
"Não podemos estar sempre a recomeçar. Devemos sim, realizar um esforço diário de inovação, de procura de melhores condições para a formação das nossas crianças. E isso exige estudo, avaliação, investigação e análise", sublinhou.
Depois de recordar que "o país tem uma longa história de desinvestimento na área da Educação", o chefe de Estado apelou à "responsabilidade política, social e profissional", sublinhando que "nada mudará sem uma maior determinação" de todos.
"Seria um erro histórico dar livre curso às ideologias do mercado que tendem a diminuir o compromisso do Estado com uma escola pública de qualidade para todos", advertiu.
De acordo com o Presidente, "Portugal não tem estudantes a mais, não tem diplomados a mais". Pelo contrário, acrescentou, tem "índices baixíssimos de qualificação escolar da sua população".
Para inverter a situação actual, que coloca Portugal na cauda da Europa dos 25 em termos de abandono escolar, Jorge Sampaio sustentou que a educação deverá ser encarada como a primeira preocupação. "Nada será alterado se a educação não for considerada uma responsabilidade colectiva e não for sentida como a preocupação primeira dos portugueses", argumentou. (...)»
in Público, 04/Maio/2004
Esta reforma curricular em curso obriga alguns professores a lutarem uns com os outros de forma a que possam «ter tempo de ensino».
O ensino recorrente continua indefinido em muitas escolas. Considerando que é uma ferramenta essencial para o ensino de adultos bem como de trabalhadores-estudantes, necessita de um acompanhamento e incentivo constante.
A escola não pode nem deve ser admnistrada por gestores que não têm qualquer ligação à educação.
A História habitua a descobrir a relatividade das coisas, das ideias, das doutrinas e as diversas manifestações da cultura de qualquer sociedade.
A literatura portuguesa deve ser fundamental e não abordada apenas com breves exemplos.
A matemática e as ciências não podem continuar a ser «bichos de sete cabeças».
Não existem diplomados a mais, existe é ensino a menos!
Um ensino inovador e cativante precisa-se!
Com Sharon a política de assassínios selectivos de figuras consideradas incómodas para os israelitas tomou um novo ímpeto. Os ataques, que já ceifaram mais de 150 palestinianos, são normalmente perpretados a partir de helicópteros ou com equipas militares altamente treinadas, e normalmente matam além do alvo, todos os inocentes que se encontrem nas redondezas.
Mas isso não constitui um grande problema, já que para Israel todos os palestinianos são considerados inimigos e, portanto, um alvo a abater.
Existe um ódio dos dois lados que em vez de apaziguado é alimentado. A instalação completamente absurda de colonatos para justificar a usurpação de terra, e agora também a barreira, que é a maneira mais autista possível de tentar resolver este problema. Os palestinianos, que são recrutados desde muito jovens e que têm a sua vida completamente manipulada pela vontade das autoridades políticas e militares de Israel, juram vingança.
O plano recusado pela maioria Likud (o partido do governo israelita), mas apoiado por Sharon e Bush, prevê a saída de Gaza, mas não da Cisjordânia ou a leste de Jerusalém. Ou seja, dá a entender que está a dar um passo atrás e a tentar a paz quando na verdade está a querer tornar irreversível a ocupação (insustentável) da Cisjordânia, retalhando o território do futuro estado palestiniano, e inviabilizando a sua concretização física. Torna o país uma manta de retalhos. E estes retalhos muitas vezes nem sequer estão ligados entre si. Para piorar as coisas, uma barreira para protecção dos colonatos que serpenteia por terra palestiniana. Este plano só pode ser considerado um primeiro passo, e infelizmente, isso parece não ter acontecido porque continuam a escassear os momentos de lucidez no médio oriente.
Sharon é uma hiena com pele de carneiro, mas isso já não é uma novidade para o mundo, felizmente. Só se engana quem quer, ou quem gosta, como por exemplo... Bush. Se é burrice ou uma convicção estupidamente absurda, não sei, mas tenho quase a certeza que é uma mistura dos dois atributos.
Miguel Rodrigues
«VATICAN CITY (Reuters) -- Pope John Paul on Sunday welcomed the 10 new nations of the European Union but said the bloc could only face the challenges of the 21st century if it defended its Christian roots.
The pope, whose native country, Poland, is one of the new countries in the 25-strong EU, told a packed St Peter's Square Europe's identity would be "incomprehensible" without Christianity. (...)»
A minha pergunta: "aren't we running in circles?"
MR
Gun safety presenter shoots self
A federal drug agent shot himself in the leg during a gun safety presentation to children in what police describe as an accident. His bosses, however, are still investigating the incident.
The Drug Enforcement Administration agent, whose name was not released, was speaking April 9 to about 50 adults and students organized by the Orlando Minority Youth Golf Association, witnesses and police said.
He drew his .40-caliber duty weapon and removed the magazine, according to the police report. He then pulled back the slide and asked an audience member to look inside the gun and confirm it wasn't loaded.
Witnesses said when the agent released the slide, one shot fired into the top of his left thigh. The gun was pointed at the floor.
The agent was treated at Orlando Regional Medical Center and returned to work, a DEA official said.
in CNN online
Saturday, May 1, 2004 Posted: 12:11 PM EDT (1611 GMT)
As imagens chocantes dos soldados norte-americanos a sorrirem e rirem e gozarem e a darem o sinal OK (com o dedo polegar para cima) com a tortura de prisioneiros iraquianos como pano de fundo, não constitui surpresa nenhuma. A surpresa é que levou tanto tempo para esta história chegar a eclodir. Por quê? Porque houve uma tentativa de encobrir o acontecido pela Rainha das Mentiras, Washington.
CBS News demonstrou considerável coragem em desafiar as autoridades dos Estados Unidos da América, que não praticam uma política de imprensa livre e que tentaram impedir que esta história chegasse ao público. CBS News mostrou cenas horríficas que estariam mais ajustadas a uma câmara de tortura medieval do que a uma operação de inteligência militar nos dias de hoje, supostamente conduzida por pessoas civilizadas oriundas dum país civilizado.
Esse não é o caso duma bofetada na cara dum prisioneiro obtuso, nem foi um murro no ventre, dado por um sargento cansado que tinha sido cuspido. Pessoas iraquianas foram forçadas a tirarem suas roupas e foram espancadas – um homem foi espancado até à morte, só que as imagens são chocantes demais para mostrar – um foi fotografado com um cachorro a atacá-lo, outros foram esforçados a praticarem actos sexuais nojentos e pervertidos, tais como forçar os homens a chuparem os pénis dos outros, outros foram forçados a sofrer actos de sodomia perpetrados por soldados norte-americanos, enquanto a cena foi fotografada, outros foram forçados a formarem uma pirâmide humana, nus, um foi forçado a ficar de pé numa caixa com fios eléctricos a volta dos seus testículos e pénis.
Não foi este um incidente isolado, perpetrado por um elemento irresponsável, doente ou diminuído mental. Não foi este um caso de um ou dois soldados que foram longe demais, sem supervisão. Não é o caso de dois ou três soldados que quebraram a Convenção de Genebra, nem de quatro, nem de cinco, nem de seis, nem de sete, nem de oito, nem de nove. Nem dez, nem onze, nem doze.
Nem treze, nem catorze, nem quinze. Nada menos que dezassete soldados norte-americanos foram suspensos dos seus deveres depois que estes actos de tortura vierem à luz do dia, meses depois de terem sido perpetrados no final do ano passado. Levanta assim a ideia que estes dezassete casos são a ponta do iceberg, depois de tais actos terem sido perpetrados por outros soldados norte-americanos (e possivelmente britânicos) durante largos meses, escondidos da imprensa e do público pelo regime maldoso, criminoso, assassino e mentiroso de Bush.
Mas o quê é que se há-de esperar dum regime que propositadamente deita bombas de fragmentação em áreas civis? O quê é que se há-de esperar dum regime que faz um espectáculo acerca do tratamento médico dum rapaz de dez anos, iraquiano, nos EUA, mas só depois das forças armadas dos EUA terem obliteradas suas pernas e braços e terem assassinado sua família toda, em deitarem uma bomba na sua casa?
O quê é que se há-de esperar dum regime cujos soldados utilizam como defesa o facto que não lhes foi dado nenhuma informação sobre como conduzir uma investigação? Então, as pessoas boas e civilizadas dos Estados Unidos da América se comportam assim quando não lhes dizem para não perpetrar actos de sodomia contra os prisioneiros, quando não lhes dizem para não atarem fios eléctricos a volta dos testículos e dos pénis dos mesmos, quando não lhes dizem expressamente para não lhes espancaram até à morte?
O quê é que se há-de esperar dum regime que mente ao seu próprio povo, mente ao mundo, desrespeita a lei fundamental internacional e perpetra um acto chocante de chacina que massacrou dez mil cidadãos iraquianos, que feriu ou mutilou mais trinta e cinco mil pessoas e que deixa mil crianças sem braços ou pernas ou olhos porque apanharam os fragmentos coloridos dos “bombons” que foram deitados bem pertinho das suas casas, só que eram fragmentos das bombas que explodiram nas suas caras, tirando seus rostos e futuros e olhos e vidas?
O quê é que se há-de esperar dum regime que é liderado pelo único Presidente dos EUA que tem um registo criminal, que fica com um lábio cortado e um olho negro quando come uma bolacha e cujo controlo da gramática básica da sua língua materna é ridicularizado em tantas aulas da língua inglesa em escolas primárias a volta do globo? O quê é que se há-de esperar dum regime que tem como chefe do Pentágono a versão na vida real do Coringa (o Riddler dos filmes de Batman), Donald Rumsfeld, que mal consegue dizer uma frase que faz sentido?
Este regime tem como chefes, criminosos de guerra, assassinos, matadores, cujas forças militares cometem actos de tortura institucionalizada. Não estamos a falar da Inquisição, não estamos a falar do Coliseu em Roma antiga, não estamos a falar duma câmara de tortura do Gestapo, nem de Dachau, nem de Auschwitz. Nem estamos a falar das ditas câmaras de tortura de Saddam Hussein (os prisioneiros norte-americanos foram torturados pelos iraquianos? A Jessica Lynch foi torturada?), nem estamos a falar de Hitler nem de Himmler nem de Goebbels.
Estamos a falar do regime maldoso liderado por George Bush, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice, Colin Powell e por Richard Cheney, conhecido por “Dick” (caralho, em inglês). Estes elementos fizeram que os Estados Unidos da América seja o país mais odiado na face da Terra. Por isso, culpem o Bush.
Timothy Bancroft-Hinchey
Primeiro de Maio, dia de lutas e conquistas. Historicamente, esta data marca a mobilização e as reivindicações da classe trabalhadora. Maior poder de compra, aumentos dos salários, liberdade de associação sindical, mais justiça em diversas carreiras profissionais, a desastrosa política social e económica do Governo, continuam a ser as maiores revindicações.
Trinta anos depois da primeira comemoração desta data em Portugal, continua a ser de extrema o apoio e a importância da Luta.
Miguel Rodrigues
O Daily Mirror mostra na sua edição de hoje uma fotografia de um soldado britânico a urinar sobre um prisioneiro de guerra iraquiano.
A vergonha não conhece fronteiras e cresce o tamanho do iceberg... mas o que está ainda escondido debaixo da linha de água?
Miguel Rodrigues
Às zero horas de hoje (GMT) entraram para a União Europeia (UE), dez novos estados do leste europeu: Estónia, Lituânia, Letónia (antigas repúblicas soviéticas de 1940 até 1991), Eslovénia (ex-Joguslávia, independente em 1991), Eslováquia, República Checa (ex-Checoslováquia, independentes em 1993), Polónia, Hungria, Chipre (a "parte turca" da ilha não pode unir-se, uma vez que a "parte grega" - ao contrário deles - votou não no referendo) e Malta. À excepção dos últimos dois, todos eram países membros do Pacto de Varsóvia até à desintegração da União Soviética no início dos anos 90 do sec. XX.
De fora deste alargamento, o maior desde 1957, ficaram Bulgária e Roménia (previsto para 2007, embora as reformas na Roménia estejam bastante mais atrasadas do que na Bulgária), Turquia (que tem feito um grande esforço legislativo e diplomático, embora a minoria curda não tenha ainda os seus direitos reconhecidos), e os Balcãs (a Croácia tem sido o "aluno" mais exemplar, que deixa entreaberta a porta da integração para 2007).
Se por um lado estes membros são muito bem-vindos, por outro começam as dores de cabeça para os países mais pequenos, como Portugal, que vêem a sua margem de manobra bastante reduzida. Já tivemos direito à nossa fatia de gordos financiamentos europeus (nos governos do nada saudoso Cavaco Silva), transformados principalmente em alcatrão e betão, agora abrem-se os cofres para os novos.
Existirão 20 novas línguas nativas, e mais uma, o russo, falada por quase toda a população dos países bálticos devido à influência soviética (era a língua oficial e a ensinada nas escolas), e pelas diversas populações minoritárias.
A população do total dos países que formam a UE aumenta para 455 milhões de habitantes e para uma superfície de 3.691.214 quilómetros quadrados.
Com este «engrandecimento», que foi antecedido pela adesão, também, à NATO (porquê?), espera-se que a União Europeia diminua a sua dependência dos Estados Unidos e das suas instituições-satélite (como a própria NATO), e crie as suas próprias estruturas de intervenção, sempre respeitando a integridade de cada estado independente que está na génese da sua formação.
O futuro não é feito de cortes de relações, mas do amadurecimento das mesmas, a leste (com a Rússia), e a oeste (com os EUA).
Miguel Rodrigues
O impasse na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancun no ano passado pode ser desbloqueado na reunião ministerial da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento em São Paulo, Brasil.
O secretário-geral da Conferência, Rubens Ricupero, declarou esta semana numa conferência de imprensa que o tema da reunião será “Fomentar a coerência entre estratégias do desenvolvimento nacional e processos económicos globais no sentido de estimular o crescimento económico e desenvolvimento, especialmente dos países em vias de desenvolvimento”.
A última cláusula desta frase é crucialmente importante, numa altura em que os Países Menos Desenvolvidos (PMD) estão fechados fora das oportunidades de comércio livre, com as mãos atadas enquanto vêem os seus recursos saqueados por uma elite corporativa estrangeira e intrusiva, cuja gula cresce diariamente, enquanto os concorrentes supostamente com iguais direitos nos países mais desenvolvidos recebem subsídios e outros benefícios, dando-os uma vantagem competitiva injusta e enquanto tarifas são impostas sobre importações dos PMD, fechando a porta na cara dos países mais pobres que tentam competir – mas nunca como iguais.
Se é isso que a OMC conseguiu até agora, que vergonha. Longe de promover práticas de comércio livre, esta organização mais parece um clube de ricos, direccionado para enriquecer cada vez mais os EUA e a UE, e sabotar qualquer tentativa de fomentar a competitividade da parte de países que estão fora deste eixo.
Como sempre, as instituições que são controladas por Washington dizem uma coisa e praticam outra. A reunião da Conferência em São Paulo será um barómetro útil no sentido de demonstrar se este eixo está disposto a rectificar o que está mal e desequilibrado no sistema de comércio mundial e o que vai fazer para facilitar o acesso dos PMD aos seus mercados.
Fechar a porta e dar aos produtores ricos uma vantagem competitiva desigual não constitui comércio livre e em pé de igualdade, que é a missão da OMC. É exclusivismo, é elitismo, é injusto e Washington e seus lacaios devem ter vergonha na cara por causa de praticarem tais actos de hipocrisia.
Mas também, no mundo de hoje, o que é que se há-de esperar?
Timothy Bancroft-Hinchey
Em 2002 morreram 2,7 milhões de pessoas em todo o Mundo, vítimas da SIDA (dois terços são africanos).
Na Índia existem cinco milhões de infectados.
Em Portugal, cerca de 0,52% da população está infectada. 21.977 casos foram registados desde 1983 até Maio do ano passado. A maior parte da fatia cabe a heterossexuais (40%), e o segundo maior grupo são os toxicodependentes (30%). Portugal é o país da União Europeia com maior número de casos detectados e o segundo maior de toda a Europa, a seguir à Ucrânia.
Continua a pensar-se que a SIDA não mata e, apesar do conforto e da dignidade dados pelos novos medicamentos, muitos continuam infelizmente a sucumbir.
A SIDA é o estado mais avançado provocado pelo VIH (Vírus Imunodificiência Humana). Este não é transmitido pela saliva, por um simples beijo no rosto ou na boca, na casa de banho, pelos talheres, pratos ou copos, pelo aperto de mão, por um abraço, pelos mosquitos ou outros insectos, nem ao falar.
Pode ser transmitido através de três maneiras: por via sexual (relações sexuais sem preservativo, por exemplo), via sanguínea (as seringas dos toxicodependentes, por exemplo) e peri-natal (a mãe grávida quase sempre transmite a síndrome ao feto).
Os hemofílicos americanos foram os primeiros a chamar a atenção para esta doença, e em 1982 a OMS deu o nome de SIDA (Síndrome de Imunodeficiência Humana Adquirida), ao vírus descoberto um ano antes.
Miguel Rodrigues